domingo 28 novembro 2021
Artigo

Um museu de grandes novidades chamado American Heart

MEDICINA/EVIDÊNCIA

Neste início de novembro aconteceu um dos maiores eventos da Cardiologia mundial: o congresso da AMERICAN HEART ASSOCIATION (AHA). Um dos destaques dessa edição virtual foi a divulgação de um estudo sobre o impacto da pandemia de COVID sobre a depressão e as subsequentes idas de pacientes ao departamento de emergência por causa de ansiedade e dor no peito (8 Nov 2021Circulation. 2021;144:A12306).

O time da Dra. Heidi T May concluiu que os sintomas de depressão – entre os pacientes que já tinham esse diagnóstico feito previamente – aumentaram durante o período da pandemia.

Como a ansiedade e a própria depressão estão associadas a um aumento do risco cardiovascular e frequentemente estão ligados a outros fatores de risco, é importante instituir o tratamento com antidepressivos o mais precocemente possível, antes mesmo que os pacientes comecem a apresentar os sinais clínicos da doença.

Este é um ponto.

Outra importante pesquisa também foi publicada e surpreendeu a comunidade médica: Homens gays e mulheres bissexuais têm maior probabilidade de se tornarem hipertensos quando comparados aos heterossexuais. Adivinhem por quê. A resposta, que já havia sido cogitada há um ano em um comunicado da própria AHA, desta vez foi categórica: “Em anos recentes os cientistas recolheram evidências que sugerem a razão de existir dessa grande disparidade. Gays, lésbicas e bissexuais adultos vivem experiências intensas em termos de estressores psicossociais, e isso compromete sua saúde cardiovascular ao longo de toda vida”, segundo Yashika Sharma, o líder dessa pesquisa que ainda está na fase de peer review. E ele completa afirmando que “certos grupos de minorias sexuais adultas tendem a atrasar os cuidados com a própria saúde”.

E este é o outro ponto.

- Tanto as pessoas depressivas quanto as pertencentes a orientações sexuais ditas minoritárias (LGBTQIA+) são estigmatizadas e sofrem com isso. Talvez não cheguem ao ponto de adotarem comportamentos autodestrutivos, mas claramente sentem-se menores, a ponto de não se acharem dignas de merecerem atenção para as suas emoções, suas angústias, seus medos e toda sorte de sentimentos que chegam a fazê-las se sentirem indignas. Nossos consultórios estão cheios de pessoas que se recusam ser encaminhadas a psiquiatras quando são diagnosticadas com depressão, pela simples razão de temerem ser tachadas de doidas. Um estigma que ainda persiste mesmo neste século.

Do mesmo modo existem tantos indivíduos com orientações sexuais discriminadas sendo obrigados a disfarçarem suas dores em forma de ansiedade, fobias e medos, que nenhum médico ou cientista seria capaz de tratá-las, restando apenas lutar para que todos sejam reconhecidos como indivíduos plenos, produtivos e perfeitamente iguais a quem quer que seja.

 Dr. Manoel Paz Landim

(Cardiologista, Mestre em Medicina pela FAMERP, Preceptor e Médico do Ambulatório de Hipertensão do Departamento de Clínica Médica da FAMERP, São José do Rio Preto)

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