Editorial

Sopro de esperança

Amanhã, 18 de outubro, comemora-se o Dia do Médico. Desnecessário falar sobre a importância dos médicos na existência de cada um. Seria como fazer pregação para convertidos na medida em que, em maior ou menor grau, desde o nascimento, os discípulos de Hipócrates estão presentes em nossas vidas.

Em Jales, o prestígio da classe sempre foi grande. Quando a cidade ainda era um sertão em fase de desbravamento, os eleitores elegeram um médico, dr. Pedro Nogueira, formado pela Faculdade Nacional de Medicina, como segundo prefeito.

Mais tarde, no final dos anos 60, mais especificamente em 1968, portanto no auge do regime militar, outro médico, dr. Edison Freitas de Oliveira, recentemente falecido, foi eleito chefe do Executivo. Na eleição seguinte, em 1972, o vice-prefeito eleito foi o dr. Shiguero Kitayama.

A população, em sinal de reconhecimento, também permitiu que profissionais da medicina conquistassem mandatos na Câmara Municipal. Lá atrás, Eduardo Ferraz Ribeiro do Valle e Arnaldo Silveira. Depois, Satoru Yamada, Antonio Figueira Filho, campeão de votos em 1982, Masaru Kitayama, Belarmino Batista Neto, entre outros. Nas últimas eleições, Ricardo Gouveia manteve a escrita, tornando-se o mais votado.

Mas, nenhum médico teria vindo para Jales se não houvesse um hospital filantrópico para acolhe-los, isto há 61 anos —a Santa Casa de Misericórdia.

Foi uma via de mão dupla. Os senhores de jaleco branco trouxeram conhecimento científico. De sua parte, a Santa Casa abriu-lhes as portas e se tornou uma vitrine para eles. Há 11 anos, Jales conquistou a unidade do Hospital de Câncer, hoje chamado Hospital de Amor, o que qualificou a cidade como centro de região também no âmbito médico-hospitalar.

Em relação à Santa Casa e demais instituições congêneres, há que se louvar a participação delas no enfrentamento do coronavírus. Sem hospital filantrópico, centenas de vidas a mais teriam sido perdidas.

Agora, é hora dos governos ajudarem a recompor as finanças duramente afetadas pela pandemia. No caso de Jales, por exemplo, o faturamento desabou em face da necessidade de adequar espaços para unidades Covid.

Nesta medida, ao lançar o programa “Mais Santas Casas”, há 10 dias, o governo estadual deu um sopro de esperança, anunciando ampliação em 25% dos recursos repassados anualmente, o que, se efetivado, permitirá ampliar e fortalecer a assistência principalmente aos usuários do SUS, que correspondem a 70% dos atendimentos na Santa Casa de Jales.

Que assim seja!