Editorial

Presente de aniversário

Ao longo de 80 anos de história, os jalesenses deram demonstrações variadas de que sabem superar obstáculos e virar o jogo, mesmo quando o vento sopra contra.

Para não ir muito longe, vale lembrar o que aconteceu em 1975. Jales, que vivia basicamente da cultura do café, segmento que enriqueceu muita gente, quase foi a pique naquele ano.

Uma geada com alto poder de destruição devastou os cafezais existentes afetando principalmente os pequenos e médios produtores, muitos dos quais moravam em suas propriedades.

Foi aí que houve uma reação em cadeia a partir da criação do Grupo de Estudos para o Desenvolvimento de Jales (GEDEJA), integrado por produtores rurais, engenheiros agrônomos, sindicalistas e demais lideranças da sociedade civil organizada, tentando encontrar saída para reativar a economia da cidade.

Das discussões realizadas semanalmente emergiu a ideia luminosa de investir na diversificação agrícola e na eletrificação rural, que se tornaram forças motrizes de um processo de recuperação sustentável.

Este episódio é rememorado como gancho ao que vem acontecendo nos últimos 40 dias tendo como epicentro a diretoria do Jales Clube capitaneada pelo idealista Clóvis Pereira, fundador e presidente há 43 anos.

Sem fazer alarde, Clóvis vem trabalhando com afinco a ideia de transformar aquele verdadeiro latifúndio de lazer, com área de seis alqueires, em espaço para educação ou saúde.

Por exemplo, em 2014, como contrapartida ao uso do clube em evento eleitoral, Clóvis exigiu ser recebido pela então presidente da República, Dilma Roussef, com o objetivo de apresentar uma ousada proposta — doar a área que fosse necessária para que o governo instalasse um campus de universidade federal em Jales.

Com a insensibilidade que a caracterizava, Dilma engavetou o projeto, mas o presidente do Jales Clube manteve acesa a chama.

Foi aí que, sete anos depois, surgiu no cenário a deputada federal Carla Zambelli, vice-líder do governo Bolsonaro. Impressionada com o entusiasmo do presidente, ela apadrinhou a instalação de um centro de tratamento de doenças raras a partir da implantação de uma unidade da Casa Hunter, entidade filantrópica especializada.

Na última terça-feira, dia 6 de março, em assembleia geral, os fundadores do Jales Clube aprovaram a doação de 59 mil metros quadrados à Casa Hunter e com amplas possibilidades de abrigar também um centro universitário para pesquisa em genética.

 Um verdadeiro presente de aniversário!    

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