sexta 18 junho 2021
VESTIBULARES

Por que queimamos?

Acompanhei nesta semana casos impiedosos de incêndios que afetaram Jales (SP) em alguns resquícios de matas que ainda resistem ao ambiente urbano de nossa cidade. É tão difícil encontrar cidades que são premiadas com áreas verdes intactas no meio de casas e prédios que situações como esta vivenciadas neste pedaço de Brasil requer profunda reflexão sobre o que leva o ser humano a atentar contra seu próprio patrimônio ambiental.

Ao mesmo tempo, escrevo estas linhas com vistas a janela da casa dos meus pais que, coincidentemente, estão voltadas para o Bosque Municipal. Daqui, é possível ver dezenas de pequenos animais (macaquinhos, lagartos, pássaros, entre outros) circulando pelo quintal em busca de frutas para alimentação. Nas últimas três décadas que meus pais residem neste espaço, observo um aumento substancial na quantidade desses animais. Não precisa de muito esforço para entender que seu habitat está reduzindo devido as queimadas e desmates, sendo que a alternativa restante é o êxodo dos animais em busca de subsistência.

No âmbito nacional, a situação é mais agravante ainda. No artigo anterior, ilustrado inclusive por uma imagem que falava por mais de mil palavras, ressaltei que as queimadas na Amazônia é tema certeiro para os vestibulares. No entanto, sabedores que somos da competência negativa que parte da humanidade se dedica, o Pantanal agora é o alvo do avanço da ganância econômica.

O complexo do Pantanal é uma formação vegetal marcada pela miscelânia, ou seja, “mistura” de várias espécies vegetais (campos, matas e cerrados). É um bioma raro já que tal complexidade necessita de vários fatores geográficos e biológicos para sua formação. Toda essa exuberância e congruência de fatores permite também uma rica diversidade de fauna.

Conforme nota técnica da Embrapa Pantanal, as principais causas desse processo não são apenas decorrentes dos últimos tempos. É preciso entender que nos últimos meses a situação se agravou. Mas, há décadas problemas como a expansão desordenada e rápida da agropecuária, a utilização de produtos agroquímicos, a exploração mineral nos planaltos, o uso intensivo de mercúrio, são responsáveis por mudanças nos biomas. Como resposta, tem-se a contaminação de peixes e jacarés por mercúrio e diagnóstico dos principais pesticidas.

Além disso, observa-se a remoção da vegetação nativa nos planaltos do entorno pantaneiro para implementação de lavouras e de pastagens, porém sem o manejo adequado do solo e uso de técnicas conservacionistas que destrói habitats e aceleraram os processos erosivos nas bordas do Pantanal.

Por isso, uma dica infeliz, mas necessária para o vestibular é o Pantanal. Tanto suas características marcantes como a área de planície, o entorno planáltico, a Bacia Hidrográfica do Rio Paraguai e a geologia recente da Era Cenozoica do Período Quaternário podem surgir nas provas. Do mesmo modo, os problemas das queimadas em imagens, mapas e gráficos serão cobrados para análises dos estudantes. Outra dica fácil, mas extremamente necessária, é saber localizar o complexo pantaneiro no mapa brasileiro.

No mais, escute Almir Sater e leia Manoel de Barros, pantaneiros extraordinários; fique em casa; estude e confie em você!

 Prof. Msc. Eduardo Britto

((Professor de Geografia graduado pela UNESP. Especialista em Gestão. Ambiental pela UFSCAR. Mestre em Ensino de Ciências pela UFMS)

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