domingo 20 junho 2021
Artigo

Por que os casais se separaram tanto na pandemia?

A pandemia foi um fator percursor para término de relacionamentos, ou podemos dizer que os términos só ficaram mais evidentes nesse período?

O ano de 2020 até o momento atual foi marcado por diversas separações, desde pessoas públicas às pessoas do nosso convívio.

Conviver mais tempo com a família, ter novas demandas, exigiu das pessoas nova variabilidade de comportamentos, como a tolerância de lidar com os aversivos.

Bem dizendo, quando estamos em nossa rotina normal, podemos nos esquivar por mais tempo daquilo que nos desagrada; no caso, os comportamentos indesejados, aversivos, punitivos ou não reforçadores do parceiro, do filho, dos pais. Por exemplo, enquanto ambos estão trabalhando, o filho está na escola, e todos os compromissos podem ser cumpridos normalmente.

O tempo de encontro e união é reduzido devido à rotina agitada do mundo atual, mas tendemos a ficar sob controle dos aspectos positivos do comportamento. Bem, o desejável seria que esse tempo fosse de qualidade para a maioria das famílias.

Na pandemia, as preocupações, as horas demasiadas juntos e as demandas intensificaram os conflitos. O confinamento pareceu mostrar que muitos não conheciam o que no senso comum chamamos de “parte ruim do outro”, ou então que somos intolerantes para lidar com momentos, conflitos, frustrações e expectativas.

Não podemos deixar de falar dos novos valores, ideias de felicidade e liberdade que são propagados em demasia pela mídia e sociedade atualmente?” De como ficamos sob controle da paixão e de um idealismo dos primeiros momentos de relacionamento, e o quão rápido a parte que vem depois está vindo antes? Sem absenteísmo, mas o que de novo tem depois do casamento se ambos já viviam juntos? Quais impactos a ruptura das tradições está tendo na construção e solidificação de relacionamentos e valorização de pessoas?

Há pessoas que não conseguiram fazer do lar um lugar de acolhimento e conforto, ressignificar a relação e trazer novas formas de quebra gelo. Há quem diga que se seu amor não morreu na pandemia, não morre nunca mais, e se você sobreviveu, está pronto para todas as outras batalhas.

 Amanda Sabatin Nunes

Especialista Clínica em Psicoterapia Comportamental (ITCR-Campinas)

CRP 136588/6


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