segunda 21 junho 2021
Editorial

Perigo à vista

Na próxima terça-feira, dia 18 de outubro, reúne-se em Jales, pela primeira vez, o Grupo de Trabalho Permanente em Defesa da Citricultura no Território de Desenvolvimento Noroeste Paulista, constituído por 34 municípios dos Escritórios de Desenvolvimento Rural (EDR) de Jales e Fernandópolis.
O Grupo de Trabalho foi formado após o I Ciclo de Discussões sobre a Citricultura na região realizado no dia 6 de outubro com a participação de citricultores, técnicos, empresários e representantes da classe política.
A pergunta é inevitável: por que tanta gente se reuniu para refletir sobre  um assunto que, para os leigos, não está na ordem do dia?
Simplesmente por um motivo: em razão dos problemas fitossanitários há risco iminente de inviabilização da produção  de citros na região tendo como conseqüência gravíssimos problemas de ordem econômico-social, o que seria péssimo para uma área que já teve que lidar com geadas, nos anos 70, o que praticamente liquidou os cafezais, e com seca, em 1986, levando os prefeitos da época a declararem estado de calamidade pública.
Para quem não sabe, a produção de citros ocupa o terceiro lugar no ranking regional, perdendo apenas para  pastagens e cana.
Números apresentados durante o evento mostram que, entre 1995 e 2010, a produção colhida  nos 34 municípios  fez girar R$  3 bilhões. Ressalte-se que tal cifra não está atualizada, mas, mesmo assim, representaria hoje aproximadamente  50 vezes o orçamento anual da Prefeitura de Jales.
Nos R$ 3 bilhões também não está  computado o movimento financeiro gerado pela comercialização de insumos, máquinas, equipamentos e geração de emprego nas propriedades e nas empresas ligadas ao setor, como citrícolas e revendas.
Só para se ter uma idéia do tamanho do problema, conforme levantamentos realizados pela Fundecitrus, os problemas fitossanitários já atingem 50% dos talhões do parque citrícola do Estado de São Paulo. O Território Noroeste Paulista responde por 7,5% da área em produção paulista.
Desta forma, não dá para deixar ao deus-dará um segmento de tamanha importância em termos de economia regional, razão pela qual decidiu-se formar esta Comissão Permanente em Defesa da Citricultura.
As propostas formuladas na próxima terça-feira serão levadas à Fundecitrus, Secretaria Estadual de Agricultura, Instituto de Economia Agrícola, Cati  e Comissão de Assuntos Econômicos da Assembléia Legislativa, cujo presidente, deputado estadual Itamar  Borges, participou do Ciclo de Discussões.
Sabe-se que a prioridade número um dos estudiosos da citricultura regional é solicitar à Secretaria de Agricultura que renove o convênio com a Fundecitrus para inspeção de pomares ou contrate mais gente para realizar a mesma tarefa via Escritório de Defesa Agropecuária.
 

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