domingo 17 outubro 2021
Especial

Pandemia rouba amigos de nossa convivência

O Brasil está ardendo na fogueira do abandono, caminhando para trezentos mil cruzes, vivendo o crepúsculo de uma nação desamparada. A imprensa do mundo inteiro destaca, em manchetes garrafais, a tragédia brasileira, num crescimento galopante, revelando uma estratosférica pandemia.

Somos uma nação de mais de duzentos milhões de habitantes sem um projeto de vacinação, fechando os olhos para o confinamento, sorrindo da máscara, distante do pensamento científico e mergulhado, de corpo e alma, na militarização da sociedade.

Estamos isolados da humanidade e com todos aeroportos proibidos de receber passageiros brasileiros, temerosos de nossa infecção generalizada e não cuidada.

A Covid-19 está levando embora brasileiros que farão muita falta na sociedade, na família, no campo ético e moral, na expressão intelectual que modela e aprimora as nações.

Entre vários amigos roubados de nossa convivência pela pandemia, um ficará gravado pela sensibilidade cultural e cultivo filosófico da existência. Esse amigo fez meu curso de motivação, onde aplico técnicas teatrais de fundo psicanalítico. No transcorrer do curso vou anotando a rota das emoções de cada um, retirando daí um texto que é lido no último dia, para todos os alunos. Esse ser humano de notória grandeza geral, de nome

Marco Silvério, partiu de nossos olhares, mas permanecerá eternamente em nossos corações.

Quando a Doutora Marli Lorena, gestora do Instituto Brasileiro de Psicanálise Contemporânea (IBPC) me comunica da partida de Marco Silvério, fiquei muito triste, aguardando que o tempo, esse curativo da dor, me ajudasse.

Uma semana depois, recebo de Doutora Marli uma cópia do texto

que escrevi para Marco Silvério no curso, enviado por sua esposa Andresa, que me encheu de alegria ao saber que desde o dia 7/7/2017, quando escrevi essa análise homenagem a Marco, ele carregou o texto na carteira até o dia de sua morte. Eis a mensagem:

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 “ORADOR DA TURMA “

A vida que joga pedra é a mesma vida que atira flores.

A vida que machuca é a mesma vida que cura.

Você viveu uma vida de grandes dificuldades, sofrendo as consequências da origem humilde e não foi abatido, permanecendo na pista pronto para a decolagem.

A mesma vida que te puniu com tantas adversidades, lhe deu o extraordinário dom de comunicador.

Eis a fórmula mágica do limão: a comunicação é sua limonada e sua semente. Você encontrou sua fórmula de sucesso.

Sua vida não tem outra alternativa a não ser vencer, vencer e vencer!

Você tem uma ideia na cabeça e um texto na mão, voz de orador consagrado e cultura geral suficiente para abrir todas as portas do mundo!

Roberto Gonçalves (7-7-2017)

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Assim como a desgraça da pandemia vive fazendo Jales chorar, temos mais de cinquenta psicanalistas, clinicando, voluntariamente para as pessoas mais humildes que choram suas perdas ou que vivem o pânico de serem contaminados pelos vírus.

Doutora Marli Lorena e sua filha Doutora Fernanda, vestiram a camisa de Jales, fazendo a psicanálise resgatar o riso na cidade.

Que Dona Andresa volte a sorrir, que Jales comece entender que o Brasil caminha para o abismo e ela não pode ser cúmplice, se aliando ao Brasil politizado e abandonando os falsos Messias.

O saudoso Marcos Silvério carregou texto na carteira até o dia de sua morte 

 Roberto Gonçalves

(Psicanalista, Presidente do IBPC e Cientista Político)

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