sexta 18 junho 2021
Editorial

Não dá para relaxar

Em plena efervescência da CPI da Covid instaurada no Senado Federal para investigar os responsáveis pelas mais de 414 mil vidas perdidas e ainda sob o impacto da morte prematura do ator Paulo Gustavo, cujo falecimento enlutou o Brasil, é inevitável que se faça uma pequena reflexão sobre a ação do inimigo invisível e traiçoeiro.

Na última segunda-feira, dia 3 de maio, mesma data em que os senadores deram os primeiros passos para tirar a limpo quem tem culpa no cartório pelo morticínio, a Confederação Nacional da Indústria divulgou levantamento aterrador.

Conforme a CNI, três em cada quatro brasileiros perderam alguém para a Covid-19. Entre aqueles que conhecem alguém que morreu na pandemia, 53% disseram ter perdido um amigo, 25% um parente que mora em outra residência e 15% um colega de trabalho.

Tais números fazem parte da pesquisa “Os brasileiros, a pandemia e o consumo” e são indícios do impacto do coronavírus sobre as famílias.

O levantamento da CNI, realizado pelo Instituto FSB Pesquisa, mostra que 75% dos brasileiros conhecem alguém que já morreu de Covid-19. Foram entrevistadas 2.010 pessoas com mais de 16 anos, nos 26 Estados e Distrito Federal entre 16 e 20 de abril.

A pesquisa mostrou ainda que 56% da população brasileira possui atualmente um medo “muito grande” ou “grande” da Covid-19. Os números são interpretados pelos analistas como um aumento da preocupação. E comparam: em julho do ano passado, quando a CNI patrocinou outro levantamento, a preocupação era de 47%.

Em 22% da população, o medo atual é classificado como “médio”e 9% como “pequeno” ou “muito pequeno”. Em julho do ano passado, 29% das pessoas diziam que o medo era “médio” e 10% era “pequeno” ou “muito pequeno”.

“Enquanto não houver uma vacinação em massa, a pandemia será motivo de grande preocupação para a população e continuará afetando o funcionamento das empresas, dificultando a retomada da economia”, afirmou o presidente da CNI, Roberto Braga de Andrade, em nota à imprensa.

Até onde a vista alcança, nenhum levantamento foi feito em Jales nos mesmos moldes, mas vale lembrar o que este jornal já noticiou. Desde que a pandemia foi reconhecida, em março do ano passado, houve 78 óbitos em 2020. Somente nestes primeiros quatro meses de 2021, os jalesenses choraram a perda de 108 entes queridos.

Por esta razão, embora aparentemente a Covid-19 esteja sob controle em Jales, com a campanha de vacinação atingindo faixas etárias que extrapolam o que se convencionou chamar de “grupos de risco”, não dá para relaxar, pois o inimigo ataca sem avisar.


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