domingo 28 novembro 2021
Contexto

IMPODERÁVEL DE ALMEIDA

IMPODERÁVEL DE ALMEIDA
foi o nome de um personagem fictício que o dramaturgo Nelson Rodrigues criou para tentar explicar fatos aparentemente inexplicáveis, especialmente resultados de partidas de futebol.

TORCEDOR FANÁTICO
do Fluminense do Rio de Janeiro, o genial autor de “Bonitinha,mas ordinária”, e outros sucessos da dramaturgia nacional, ele debitava aos poderes sobrenaturais do misterioso Imponderável  de Almeida a adversidade nas quatro linhas quando o derrotado era seu time do coração.

SE VIVO FOSSE,
Nelson Rodrigues certamente atribuiria a seu personagem a virada que a seleção brasileira de voleibol masculino tomou da Rússia, dia 11 de agosto, na disputa pela medalha de ouro das Olimpíadas de Londres. Ganhando por 2 sets a 0 e a dois pontos do chamado match-point no terceiro set, o Brasil perdeu por 3 a 2 e teve que se contentar com a medalha de prata.

COM O TEMPO,
analistas políticos, inclusive aqueles com fama de conhecedoras da matéria, passaram a recorrer ao personagem de Nelson Rodrigues para explicar aos leitores, ouvintes e telespectadores verdadeiras surpresas eleitorais, assunto pertinente para ser abordado nesta fase de aquecimento de campanhas municipais.

ASSIM,
vitórias e derrotas inesperadas passaram a ter o carimbo rodrigueano. Deu zebra? Era obra do Imponderável de Almeida. Como, por exemplo, em 1974, quando o professor universitário Carvalho Pinto, que tinha sido um elogiadísssimo governador paulista na década anterior, candidato a senador pela Arena, tomou uma surra homérica nas urnas do semi-desconhecido Orestes Quércia (MDB), ex- prefeito de Campinas, que nem de longe era a metrópole de hoje.

EM 1986,
o mesmo Quércia seria protagonista de outra vitória que deixou os analistas de cara para a massa. Patinando em escassos 7% nas pesquisas, bem atrás de Paulo Maluf (PDS) e do megaempresário Antonio Ermírio de Moraes (PTB), Quércia,  atropelou os concorrentes na reta final e se tornou governador de São Paulo.

DOIS ANOS DEPOIS,
em 1988, segundo interpretação dos comentaristas, novo dedaço  do Imponderável de Almeida. Três dias antes da eleição, em todos os institutos de pesquisas Paulo Maluf era considerado virtual prefeito de São Paulo. Quando as urnas foram abertas, deu Luiza Erundina, mulher e nordestina.

EM 1989,
outra surpresa de proporções estratosféricas. Com candidatos de grife na disputa , como o deputado Ulysses Guimarães, o Sr. Diretas, e o senador Mário Covas, foram para o segundo turno o desconhecido Fernando Collor, governador do minúsculo Estado de Alagoas, e o sindicalista Lula. Deu Collor.

EM JALES,
o tal Imponderável de Almeida também já andou fazendo das suas. Em 1995, poucos imaginavam que o professor Antonio Sanches Cardoso, o Rato, então vereador do PFL, pudesse ser, na eleição do ano seguinte, mais do que candidato à reeleição ou, no máximo candidato a vice-prefeito de algum bambã. Em 1996, praticamente sozinho, ele mudou de partido, fundou o PMN, e se tornou prefeito de Jales com 66,07% dos votos.   

QUATRO ANOS DEPOIS,
nova surpresa. José Carlos Guisso (PSDB), que tinha deixado a Prefeitura, em 1996, com apenas 8% de aprovação, entre ótimo e bom, enfrentou e venceu Rato. Até hoje, passados 12 anos, especialistas em eleições municipais dizem que Rato começou a perder aquela eleição praticamente ganha devido a  um acidente de percurso. Considerado franco favorito no início da campanha, ele resolveu evitar riscos e faltou  ao primeiro debate entre candidatos promovido pelo Fórum da Cidadania, abrindo caminho para a ação do Imponderável de Almeida e a vitória de Guisso...

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