sexta 18 junho 2021
Artigo

Impactos psicossomáticos e estratégias de coping da Covid-19

Está todo mundo estressado, não é mesmo? Os efeitos psicossomáticos, emocionais e até desenvolvimento de doenças mentais durante a Covid-19 e outros fatores associados afetaram a maioria da população, percebendo confusão mental, estresse pós-traumático e raiva, depressão, ansiedade, medo e pânico como principais sintomas (Linhares; Enumo, 2020).

Quem já foi contaminado pelo vírus relatou diversas dificuldades também como indisposição para voltar às atividades diárias e físicas, queda de cabelo, canseira; e consequentemente, aumento dos comportamentos de baixa autoestima, motivação e angústia.

Outros fatores identificados como preditores de maior sofrimento mental foram a duração do período de isolamento social (> 10 dias), medo de ser infectado ou infectar outras pessoas, frustração, tédio, falta de suprimentos e informações inadequadas sobre a doença (Brooks et al., 2020).

Alguns desses fatores foram associados a um maior número de sintomas de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), transtornos de ansiedade e afetos negativos após o final do isolamento social (Desclaux et al., 2017; Hawryluck et al., 2004; Jeong et al., 2016; Reynolds et al., 2008).

Um conjunto de estudos de um grupo de trabalho de pediatras na Província de Shaanxi (China) foi analisado considerando as estratégias promotoras da resiliência em crianças e adolescentes para enfrentar as consequências psicológicas da pandemia da Covid-19 (Jiao et al., 2020).

O estudo mostrou que, em uma amostra de 320 crianças e adolescentes, de ambos os sexos, de três a 18 anos de idade, os problemas emocionais e comportamentais prevalentes foram os seguintes: distração, irritabilidade, agitação, medo de fazer perguntas sobre a epidemia, querer ficar agarrados aos familiares. Esses problemas se associaram a pesadelos, falta de apetite e desconforto físico.

Diante dessa situação, devemos desenvolver estratégias de enfrentamento de estresse, o coping, que trabalha com três necessidades psicológicas básicas do ser humano: (a) “relacionamento”, que envolve a necessidade de ser aceito e compreendido pelos outros, ter relações próximas estáveis, seguras e duradouras (b) “competência”, ao sentir que mantém o controle da situação de forma eficaz para gerenciar desafios e cumprir metas e objetivos e (c) “autonomia”, ao ter ações ou crenças, de ser capaz de realizar tarefas ou tomar decisões, assumindo as consequências do seu próprio comportamento. Além disso, estratégias como a incorporação de ações no cotidiano que envolvam autocompaixão, incentivo à criatividade e variabilidade comportamental, otimismo, uso de crenças religiosas, aceitação plena, planejamento de pequenas estratégias iniciais, sem comparação com o próximo; e meditação pode promover resiliência e bem-estar em muitas pessoas.

 Amanda Sabatin Nunes

Especialista Clínica em Psicoterapia Comportamental (ITCR-Campinas)

CRP 136588/6

Desenvolvido por Enzo Nagata