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Há 80 anos os Seixas chegavam a Jales

Genésio e Facondes Mendes de Seixas. José, Jacira e Bernardino à frente 

Num 1º de Maio, que só dois anos depois seria feriado nacional por decreto do presidente Getúlio Vargas, Falcondes Mendes de Seixas colocou sua mudança em dois carros de boi, partindo do sítio na Estiva, a 22 quilômetros de Tanabi, com destino à fazenda Marimbondo, orientado pela estrela que brilhava no Ocidente. Veio acompanhado de sua mulher, Alice Maria, e dos filhos Bernardino, Jacira e José – Genésio ficou com a avó paterna, entre Tanabi e Fernandópolis, por mais dois anos. Aqui chegaram no dia 3 de maio de 1941, dezoito dias após a fundação oficial do patrimônio.

Falcondes saiu por caminhos intransitáveis até alcançar a Estrada Boiadeira, pela qual chegaram a Ecatu para o primeiro pernoite na casa do primo João Caviaco. No dia seguinte, a mudança foi transferida para um caminhão tamanho ¾. A marcha era retardada na travessia dos córregos, como na travessia do Santo Antônio, onde só havia duas vigas como ponte. Dona Alice com o caçula na boléia apertada, e os outros filhos na carroceria. O marido vinha de ajudante do motorista. No caminhão não havia espaço para mais nada, nem para o cachorro de estimação, o Tupi, que veio por meios próprios alguns dias depois. A estrada permitia tráfego até o lageado do Açoita Cavalo, onde dispensaram a condução, jantaram e pernoitaram na casa do primo Joaquim Carneiro e Ana, sua mulher.

No dia 3 de maio completaram a jornada a pé, chegando à casa de Augusto Leme de Meneses, no córrego do Marimbondo. Dias depois, dois carros de boi trouxeram a mudança e a família para a antiga fazenda de Vergínio Borges, um casarão que servia de entreposto e repouso de boiadeiros e boiadas, sede administrativa de uma gleba de 830 alqueires. O sonho de comprar terras baratas, que contagiava a todos, ainda não estava ao alcance de Falcondes. Ele só conseguiria tornar-se proprietário no córrego da Pimenta, quatro anos depois, juntando pequenas economias com a sobra da venda de oito alqueires em Tanabi.

Quando, 62 anos depois, Genésio Mendes de Seixas escreveu “Jales – Precursores e Pioneiros”, o autor faz a descrição da chegada a partir de relatos gravados, mas, deve haver ali também as suas impressões – o caminho era o mesmo. “De repente, ao descortinar o roçado do Athaydes, sem que alguém percebesse, a estrada transformou-se na Rua Seis. Eis Jales! Os olhares espantados varriam a área procurando ver tudo ou quase nada. Circundando o cruzeiro espetado numa capelinha de madeira, viam-se umas casinholas cor de tronco de coqueiro, outras vermelhas de barro atirado em pelotas sobre as paredes de ripas de coqueiro juntadas com taboca. Nenhuma desocupa e algumas em obra, atendendo ao padrão de construção primitiva. Era a Jales nascente, uma urbe encardida, sem luz e sem flores. Homens, cavalos e bois de carro movimentavam-se encerrando a jornada calorenta”.

(Fonte: Jales – precursores e pioneiros, Genésio Mendes de Seixas, edição do autor, 2003)


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