domingo 25 julho 2021
Editorial

Exemplo para as novas gerações

Na edição anterior, como preâmbulo a comentário sobre a iniciativa da diretoria do Jales Clube em doar área de 54.600 metros quadrados—patrimônio calculado em R$ 35 milhões — para implantação de um centro de tratamento de doenças raras a uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos sediada em São Paulo, este jornal referiu-se ao fato como mais uma comprovação do caráter diferenciado da cidade.

Para subsidiar o raciocínio e não ir muito longe, o editorialista do J.J. lembrou que os três primeiros prefeitos de Jales, ao contrário de seus vizinhos, foram homens oriundos de algumas das melhores universidades do país —engenheiro Euphly Jalles (Poli/USP), médico Pedro Nogueira (Nacional de Medicina/RJ) e advogado Roberto Rollemberg (Direito-USP).

Mas, nesta galeria de homens públicos diferenciados também não pode faltar o nome do ex-prefeito Edison Freitas de Oliveira, nascido em Aparecida do Taboado, que ainda pertencia ao Mato Grosso, formado em medicina no Rio de Janeiro e que passou a exercer a profissão em Jales.

O falecimento dele, aos 91 anos, terça-feira, dia 13, em Cuiabá, contempla algumas reflexões. Sem exagero, o dr. Edison é o típico caso de ponto fora da curva.

Quando andar de roupa branca era sinal de status, ele dispensava as reverências e atendia a todos que o procuravam mesmo que não tivessem um centavo no bolso.

Janista e corintiano, o “médico dos pobres” foi um dos fundadores do MDB local, quando ser da oposição era correr risco de vida.

Por conta de seu jeito de ser, os companheiros do MDB raiz o lançaram candidato a prefeito, vencendo a eleição municipal de 1968 contra o PIB local, cujo candidato era José Antonio Caparroz, empresário de grande prestígio. Detalhe: sem ataques pessoais ou insultos, usando como argumentos apenas o bom humor e ironia fina.

Foi uma vitória histórica porque, naquela eleição, só foram eleitos três prefeitos de oposição ao regime militar —Orestes Quércia (Campinas), Laerte Mendes (Matão) e Edison.

Como tinha visão futurista, o prefeito usou o mandato para investir em três frentes —construção de um recinto próprio para abrigar a Feira Agrícola, Comercial, Industrial e Pecuária de Jales (Facip), prestigiando principalmente os sitiantes.

Ao mesmo tempo, hasteou a bandeira da construção da ponte rodoferroviária sobre o Rio Paraná, ligando as zonas produtoras de seu estado, o Mato Grosso, ao porto de Santos, passando pela região de Jales, que colheria os dividendos da nova situação.

Inteligente, convenceu os prefeitos da região sobre a necessidade de formar a Associação dos Municípios do Oeste Paulista, que se tornou a ponta de lança do movimento.

Depois que terminou seu mandato, retornou ao Mato Grosso, onde foi eleito vice-governador na chapa com Carlos Bezerra e, posteriormente, governador.

Pena que as novas gerações não conheceram o dr. Edison...


Desenvolvido por Enzo Nagata