sexta 22 outubro 2021
Editorial

Esperanças renovadas

Ao longo de seus 61 anos, prestes a completar 62 no próximo mês de novembro, a Santa Casa de Jales construiu uma trajetória de respeitabilidade cuja mais completa tradução foi a credibilidade conquistada perante os moradores de Jales e dos 16 municípios referenciados.

Todos os provedores cujas fotos estão nas galerias espalhadas em lugar de honra do hospital fizeram sua parte, cada qual do seu jeito, o que viabilizou a escala ascendente da instituição.

Mas, o processo de crescimento do hospital nem sempre foi bem compreendido nos altos escalões governamentais, conduzidos, às vezes, por burocratas pouco simpáticos a hospitais filantrópicos.

Ao contrário do que aconteceu em cidades vizinhas, a Santa Casa de Jales nunca foi protagonista de escândalos ou desvio de recursos públicos, razão pela qual não se compreendia tantas pedras colocadas no caminho.

Apesar das barreiras, a cúpula da Santa Casa nunca abaixou a guarda. Vale lembrar o ano de 2006. Assim que assumiu, o provedor José Devanir Rodrigues sentiu que era preciso mobilizar a comunidade e romper o bloqueio do andar de cima.

Foi então que, sob a coordenação do Fórum da Cidadania, lideranças comunitárias formaram comitiva e a bordo de um ônibus foram bater às portas da Secretaria Estadual de Saúde. Até o bispo diocesano Dom Demétrio Valentini, então coordenador das Pastorais Sociais da CNBB, participou da audiência.

O padrinho da causa foi o então deputado estadual Rodrigo Garcia, então presidente da Assembleia Legislativa, cuja intervenção fundamental permitiu que os jalesenses fossem ouvidos com atenção pelo secretário estadual de Saúde, Barradas Barata. A partir daí, trânsito livre.

Tudo isso está sendo contado porque na última segunda-feira, dia 13 de agosto, algo parecido aconteceu, quando o deputado estadual Carlão Pignatari (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa, abriu as portas de seu gabinete para, a pedido de Flávio Prandi Franco, assessor especial da presidência da Alesp, ouvir as demandas levadas pelo provedor Carlos Toshiro Sakashita e chanceladas pelas assinaturas dos presidentes das 17 entidades que compõem o Fórum da Cidadania, cujo coordenador é o advogado Carlos Alberto Brito Neto, assessor jurídico do hospital.

Em resumo, Toshiro pediu a interferência do chefe do Poder Legislativo paulista para sensibilizar a cúpula da Secretaria de Saúde no sentido de reclassificar a Santa Casa, alçando-a da condição de “hospital de apoio” para “hospital estratégico”, com o consequente aumento de repasse de recursos.

A boa vontade de Carlão, que conhece a realidade de hospitais filantrópicos até porque liderou o processo de crescimento da Santa Casa de Votuporanga, renovou esperanças. Aguardemos com otimismo.


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