Especial

Especial dia das mães

Dona Aurestina de Matos, mãe de 16 filhos biológicos e 3 adotivos

por Rafael Honorato

Já dizia o velho ditado: Um é pouco, dois é bom, três é demais. Entretanto não é o que pensa dona Aurestina Assis de Matos 90 anos recém completados. 
Mãe de 16 filhos biológicos e três adotivos, avó de 53 netos, bisavó de 55 e tataravó de 13, ela que é natural de Itapagipe, no triângulo mineiro, casou-se em 1941 e teve seu primeiro filho um ano após, aos15 anos. 
Na época a medicina estava iniciando os processos contraceptivos, e já existiam algumas pílulas anticoncepcionais, porém seu falecido marido era contra pois havia ouvido que tais medicamentos faziam mal a saúde. Sendo assim dona Aurestina deixou “nas mãos de Deus”, como ela mesma disse. 
“A mulher que fez o parto do meu primogênito tinha um dom muito especial de olhar o cordão umbilical e já prever quantos filhos em média a pessoa teria. Ela olhou o cordão do meu bebê e me disse que eu iria ter muitas crianças, porém não acreditei, pois nunca havia tido esse sonho”, relatou. 
Com o tempo os filhos foram nascendo, e uma dificuldade financeira muito grande assolou sua vida. Juntamente com seu marido Oderço decidiram se mudar para Jales, onde ele tinha alguns irmãos. “Quando mudei pra Jales eu já tinha uns 10 filhos se não me engano, mas depois vieram mais”, falou a idosa. 

Educação
Indagada de como fez para criar todos seus filhos biológicos e ainda os três que adotou, ela não pensou duas vezes e logo respondeu: “Não fui eu quem criou, foi Deus”, e completou já com os olhos cheios de lágrimas: “Muitas vezes eu não sabia se a comida que tinha em casa iria dar pra todo mundo, mas Deus sempre foi muito bom comigo e nunca deixou faltar nada para minhas crianças”. 
Apesar da grande quantidade, a “supermãe” lembra o nome de todos os filhos, e quando perguntada respondeu: “Opa se lembro, tem o José Juca, Joaquim Maria, Ana, Maria, Arlindo, Ambrosina, Maria das Graças, Vicente, Marli, Cirlei, Aurestina Filha, Dercione, Oderço Filho, Marilene, Marcia, Emanuel, Joaquim, Nestor e Cicero”. 
E para finalizar ela deixou uma mensagem especial para todas as mães: “Eu criei 19 crianças. Em momento algum foi fácil, passamos por muitas dificuldades, mas nunca em minha vida eu pensei em abortar nem fazer nenhum mal a eles. Se Deus quis que eu tivesse essa quantidade de filhos, ele me daria forças para cuidar de todos. Eu queria dizer para todas as mães, que amem seus filhos o máximo que puderem, cuidem, mas que nunca se esqueçam de rezar, pedir a Deus que não lhes falte nada, pois os filhos são os bens mais preciosos que alguém pode ter na vida!”. 
 
Dona Maria, 99 anos, mãe de 7 filhos

por Josiane Bomfim

Maria Dias Lopes completou 99 anos no dia 3 de maio, terça-feira passada. Ela é mãe de sete filhos, avó de 12 netos, 14 bisnetos e 1 tataraneto. 
Lúcida e muito simpática, ela demonstra que a fragilidade é apenas um detalhe do tempo. Começou a trabalhar muito cedo, ajudando os pais na lavoura de café. Aprendeu a fazer crochê com apenas 10 anos de idade.
Durante a semana trabalhava na roça e nos afazeres domésticos, e no domingo, único dia do seu descanso, aproveitava para fazer crochê, debaixo de uma amoreira. 
Dona Maria, casou-se com 20 anos e, depois de um ano, teve seu primeiro filho. Ao todo foram sete: Carmelita, Adhemar, Irene, Sivaldo, Walter, Leninha e Paulo Marcos. Ela e o marido, o saudoso Jesus Torres, foram donos de um armazém, onde ela fazia pão, doce de leite, requeijão baiano, pé de moleque, sabão, tudo feito manualmente em um fogão à lenha.
Pensando no bem dos filhos, eles se mudaram para Nipoã (região de São José do Rio Preto) e se tornou costureira. 
Em Jales, dona Maria mora desde 1953, exatamente 63 anos. Ao ser questionada sobre o sentimento de ter criado sete filhos, ela é firme na resposta, “eu me sinto muito feliz e privilegiada, por ter conseguido criá-los. Foi difícil, porque não tinha mercado perto do sitio, levantava de madrugada, trabalhei muito, não tinha energia elétrica, usava um lampião para clarear o forno, a vida no sítio era muito difícil e de muito trabalho, levantava por volta das quatro horas da manhã. 
Hoje, continua fazendo crochê, somente para a família, e mesmo com as mãos calejadas e cansadas de labutar, ainda mantém um traço fino dos pontos, a leveza dos gestos e a doçura de uma mulher que foi e ainda é o esteio e exemplo da família. 
Desenvolvido por Enzo Nagata