domingo 17 outubro 2021
Editorial

ESPECIAL: JJ “cinquentão”

Fazer 50 anos é motivo suficiente de muita celebração. Nesta fase, as pessoas iniciam o ápice da vida. Nessa mesma linha de raciocínio, quando o cinquentenário acontece com empresas, elas certamente ganham maior reconhecimento social pela sua trajetória, pois, convenhamos, não é nada fácil sobreviver em um país de políticas econômicas tão instáveis em todas estas últimas cinco décadas.
Mas quando esta empresa é um jornal impresso semanal, de uma pequena cidade do interior, os parabéns precisam ser redobrados. Afinal, quantos veículos de comunicação você, leitor, conhece que têm 50 anos? São tão raros! Estão apenas na grande mídia ou são aqueles tradicionais mantidos com muito custo e paixão.
E o que o JJ, fundado em 10 de outubro de 1971, fez para garantir sua permanência no mercado editorial todos estes anos? “Civic Journalism” de qualidade. Foi o que conclui no meu trabalho de pesquisa para o mestrado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo lá no início da primeira década dos anos 2000. O trabalho está disponível na biblioteca online da PUC-SP.
“Civic Journalism” é uma expressão em inglês que não tem tradução ideal no caso da comunicação midiática no Brasil. Não se trata de “jornalismo cívico”, entretanto pode ser entendido como jornalismo cidadão, aquele feito em prol de uma comunidade. Assim, muito mais do que informar fatos, o JJ ajudou a construir uma sociedade e uma cidade.
Claro que tudo isso só foi possível porque na frente deste veículo de comunicação, há muitas décadas, está Deonel Rosa Junior, que não o fundou, mas certamente deu a ele o rumo que garantiu não apenas a sua sobrevivência, mas o seu sucesso.
Deonel sempre foi guerreiro. Enquanto ser humano, soube se impor em uma sociedade estruturada no racismo. Como profissional de jornalismo, manteve-se no ápice vivenciando experiências que nem grandes jornalistas de Brasília ainda experimentaram. Afinal, todas as lideranças políticas que passaram por Jales nestes 50 anos foram entrevistadas (duramente entrevistadas, diga-se de passagem), por Deonel.
Este mesmo profissional é aquele que abre as portas do Jornal de Jales para os novos jornalistas e até aspirantes. Sempre foi assim. Eu mesma tive o privilégio de trabalhar com ele e no JJ por pouco mais de um ano (e nunca mais parei de escrever para o jornal).
Com o mesmo amor pela profissão do início de carreira, Deonel ensina Aynes, Gianas, Anas, Josianes, Rafaeis, Brunos, Thiagos, Diogos e são tantos nomes que estou com medo de esquecer algum; então vou parar as citações nominais por aqui.
A experiência de Deonel misturada ao sangue jovem dos novos jornalistas dão ao JJ a certeza de mais outras décadas marcando não apenas a história de Jales e região, mas especialmente de jalesenses que, como eu, estando longe da terrinha, ainda sorriem quando recebem o jornal na nova cidade.
Vida longa Deonel Rosa Junior, vida longa Jornal de Jales! 

 Ayne Regina Gonçalves Salviano
(É jornalista, professora mestre em Comunicação e Semiótica. Empresária no ramo da Educação em Araçatuba e Birigui ) 


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