Editorial

Desafios

Diz uma regra não escrita que todo governante que chegou ao poder avalizado pelo voto popular tem pelo menos 100 dias de graça, no sentido bíblico da palavra.

Durante este período inicial de mandato, quase tudo é permitido ao vencedor. É um tempo em que os adversários de campanha depõem as armas e a opinião pública é tolerante o suficiente para ensejar um certo respiro a quem se dispôs a colocar seu nome na urna eletrônica e de lá saiu com os chamados louros da vitória.

Também é nos primeiros 100 dias que, sentados na cadeira da responsabilidade, os novos governantes aproveitam para azeitar a máquina e colocar em prática o programa que prometeram implementar durante a campanha eleitoral.

A regra referida na primeira linha do primeiro parágrafo deste comentário vale para os eleitos nos três níveis da administração pública —municipal, estadual e federal.

 Por conta deste simbolismo político, normalmente os assessores de marketing, decorridos os primeiros 100 dias, preparam peças publicitárias como uma espécie de prestação de contas aos pagadores de impostos.

Este é o significado do robusto material coletado pela Secretaria Municipal de Comunicação da Prefeitura de Jales dado a conhecer nesta semana comemorativa ao 80º aniversário da cidade.

Como a administração pública—repita-se, em todos os níveis —não se resume aos 100 primeiros dias de governo, a partir de agora o governante passa a encarar as demandas prementes de seus governados.

No caso do prefeito Luís Henrique dos Santos Moreira (PSDB), uma observação é pertinente —sua trajetória em Jales pode ser considerada um ponto fora da curva, no bom sentido.

Afinal de contas, morando em Jales há apenas 10 anos, ele se tornou um empresário vencedor conquistando lugar no pódio em seu segmento.

Nesse mesmo período, disputou duas eleições. Uma, em 2018, tentando cadeira na Assembleia Legislativa. Surpreendentemente, foi o mais votado na cidade onde mal o conheciam.

Dois anos depois, ou seja, em 2020, tentou a Prefeitura e venceu os candidatos concorrentes na base de 2 por 1.

Portanto, céu de brigadeiro? Não. É a partir de agora que começam a aparecer os grandes desafios. O maior deles é manter a confiança dos 12.144 eleitores que acreditaram em suas propostas e, ao mesmo tempo, conquistar pelo menos parte dos outros 14.187 jalesenses que preferiram os candidatos Luís Especiato (PT) e Ailton Santana (PV), somados aos que votaram em branco ou anularam o voto.

 Boa sorte para ele e para nós, jalesenses!


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