domingo 20 junho 2021
Editorial

Cursinho para errar menos

Ao longo da história, o plenário da Câmara Municipal de Jales já foi cenário de episódios do “arco da velha”, dignos de comédias ou de filmes de faroeste, dependendo do ponto de vista.

Para não ir muito longe, vale relembrar algumas passagens memoráveis. Em 2 de maio de 1970, por exemplo, no antigo prédio, quando a rivalidade entre simpatizantes da Arena, partido que apoiava o governo militar, e MDB, de oposição, era próxima do desforço físico, a reunião camarária foi interrompida pelo arremesso de uma garrafa d’água, de vidro, do meio do plenário visando atingir o presidente. Rápido, ele abaixou a cabeça e a garrafa se espatifou no pé da imagem de Cristo, atrás da Mesa Diretora.

Na reunião seguinte, os vereadores compareceram dispostos a um verdadeiro duelo. E não se trata de força de expressão. Os nobres edis portavam revólveres sob os paletós. Alertada, a polícia chegou ao local. Um dos assessores da Câmara recolheu, uma a uma, 13 armas dos mais variados calibres e as escondeu em armário da Secretaria da edilidade.

Nos anos 90, novo embate, só que próximo da comédia. Mediram forças para comandar a Câmara dois candidatos —um, apoiado por mais 9 colegas e outro por 7. Aberta a urna, deu zebra: 10 a 7 para o candidato da bancada minoritária.

 Curiosamente, na reunião programada para festejar a vitória havia 10 vereadores comendo pizza. Parecia um velório. E do ganhador, em um restaurante da cidade, só 7 comendo um suculento filé à cubana. Inconformado, o perdedor recorreu ao Ministério Público, sugerindo possível fraude na eleição, pois o documento tinha 10 assinaturas. O promotor mandou dizer que aquilo era problema do Legislativo.

Os nomes dos personagens das cenas descritas acima foram omitidos porque os quatro já viajaram para o andar de cima.

Mais recentemente, há dois anos, os parlamentares municipais protagonizaram novo episódio que repercutiu até fora de Jales, quando a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar aventou a possibilidade de instalação de um bafômetro na edilidade, já que pelo menos uma das 10 Excelências estaria chegando ao Legislativo com claros sinais de embriaguez.

Pois bem, para evitar que fatos desta natureza continuem deslustrando a chamada Casa do Povo, os novos vereadores aprovaram por unanimidade, na reunião de segunda-feira, dia 8, projeto de lei de autoria do estreante Hilton Marques (PT), criando o Curso Preparatório para Eleitos e Suplentes.

Referida propositura, admitiu o autor, foi inspirada em texto de José Rubens Plates, ex-procurador da República em Jales, atualmente em Franca, publicado na edição do Jornal de Jales do dia 31 de janeiro.

O curso será realizado com a carga de 30 horas-aulas, entre os meses de novembro e dezembro, com três aulas por semana durante o período noturno. Ao final do mesmo, serão conferidos certificados aos participantes.

Detalhe: no ato da posse, em 1º de janeiro de cada legislatura, o vereador deverá fazer a entrega do Certificado de Participação no curso junto com o Diploma emitido pela Justiça Eleitoral.

Se não resolver todos os problemas, o curso, no mínimo, vai diminuí-los, evitando episódios constrangedores.


Desenvolvido por Enzo Nagata