domingo 20 junho 2021
Artigo

As mentiras sobre a Verdade

Neste artigo vamos falar sobre algo que amamos: A verdade. Quando ela está ausente todos sofrem e os resultados são desastrosos. Isso acontece porque tanto os relacionamentos quanto o conhecimento da vida são baseados nas verdades que aprendemos ou recebemos como legado.

A luta pela verdade, porém, começa pela própria definição do conceito de verdade. Essa luta se dá porque, em nossa época, os conceitos, valores e práticas se encontram em desconstrução e questionamento. Muitos usam a expressão “verdade líquida” para mostrar a noção de que a verdade é socialmente construída e por isso ela se esvai rapidamente conforme as mudanças sociais vão acontecendo. A intenção, conforme o pensador Albert Mohler Jr, é derrubar toda autoridade religiosa, filosófica, política e cultural, segundo preconizava Karl Marx ao dizer que à luz da modernidade, “tudo que é sólido se desmancha no ar”. Para espalhar o conceito moderno da desconstrução do sólido Raul Seixas cantava: “Eu prefiro ser uma metamorfose ambulante/do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes/eu prefiro ser essa metamorfose ambulante”. A mensagem é clara: Não se apegar a ideias, valores e conceitos fixos ou imutáveis, não se firmar em absolutos, não ter padrões definidos porque o que é sólido hoje amanhã poderá ser desconstruído e abandonado.

Nesse universo de verdades em mudança a observação mostra que a natureza temporária do nosso conhecimento é líquida e que a verdade é apenas um conceito de importância relativa e ocasional. Qual o resultado prático disso na sociedade e nos relacionamentos? Uma sociedade sem definições específicas de verdades sólidas encontrará o caos e a incerteza em todos os níveis. Conceitos sobre fidelidade, honestidade e dignidade serão relativos e pautados apenas em conceitos pessoais específicos. Relacionamentos se tornarão descartáveis e superficiais.

Diante desse quadro é necessário lembrar algumas palavras do Senhor Jesus. Ele disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14.6) e “Conhecereis a Verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.32). Estas declarações apresentam para nós uma questão essencial. Existe uma verdade absoluta que pode ser conhecida e defendida. Esta questão não é muito popular por causa do conceito moderno de que “tudo é relativo” (mesmo que para isso seja preciso estabelecer uma sentença absoluta!). Certamente existem aquelas verdades que são relativas (algo restrito à comprovação científica que podem ser substituídas por outras descobertas mais recentes) ou subjetivas (sujeitas ao gosto e aos interesses da pessoa em particular). Mesmo assim, certas questões da vida são inteiramente objetivas.

Como questão principal, afirmamos que a verdade do Evangelho em que os cristãos creem é fundamentada na revelação de Deus. Essa revelação não obedece ao gosto ou pensamento pessoal de cada um, mas é simplesmente aquilo que Deus quis revelar de Si mesmo. A exclusividade dessa revelação não pode ser diminuída pelas “verdades líquidas” de nossa época e nem desconsiderada por aqueles que gostariam de adorar um “Deus mais domesticado” ou mais subserviente ao homem. Conforme afirmou o teólogo Donald Carson: “Embora insistamos no poder e no caráter não negociável da verdade, também somos rendidos diante de um Deus que, na pessoa de seu Filho, revela a verdade crucificada”.

Este é o Evangelho do qual Jesus disse: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

 Rev. Onildo de Moraes Rezende

(Pastor da Igreja Presbiteriana de Jales, Bacharel em Teologia, Licenciado em Pedagogia, Pós-Graduado em Docência Universitária, Mestre em Aconselhamento)

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