sexta 18 junho 2021
Opinião

A lição que não aprendemos

O norte-americano Bill Gates ficou famoso no mundo todo quando, junto com Paul Allen, fundou a Microsoft, a maior e mais conhecida empresa de softwares do planeta. Hoje, o nome dele figura nas listas das pessoas mais ricas da Terra. Parte dos seus rendimentos, entretanto, é destinada para a Fundação Bill e Melinda (nome da esposa) Gates que há dias, por exemplo, doou algo em torno de 800 milhões de reais para o combate ao Covid-19. No histórico do casal há a erradicação da poliomielite na África por meio da vacinação e o combate ao Ebola, epidemia iniciada em 2014 no continente africano.

Visionário, em 2015, em uma conferência da TED (Tecnologia, Entretenimento e Design – traduzido em português para Planejamento), uma série de palestras de até 18 minutos realizadas na Europa, Ásia e Américas destinada à disseminação de boas ideias pela internet, Bill Gates antecipou que o evento que mais mataria pessoas nos anos seguintes não seria uma guerra nuclear, grande medo das gerações mais velhas, mas, sim, uma epidemia causada por um vírus desconhecido, altamente contagioso, capaz de matar até 10 milhões de pessoas.

O filantropo foi enfático. “Nosso problema não são os mísseis, mas os micro-organismos”. Na opinião dele, os governos do mundo gastaram muito em armamentos, mas não investiram quase nada em saúde. Resultado? Nenhum país, rico ou pobre, estaria preparado para as epidemias vindouras.

Para Bill Gates, o que pode parar uma epidemia são: muito trabalho heroico de profissionais da saúde, torcer para o vírus não se espalhar pelo ar e para ele não entrar em regiões populosas (!). Ainda na palestra em 2015, o empresário estimou que um vírus como o da Gripe Espanhola (que não começou na Espanha) mataria, atualmente, mais de 30 milhões de pessoas de todas as partes do mundo.

Esse discurso feito em 2015 soa familiar para você?

Desde aquela época, Bill Gates dava a receita do sucesso contra as epidemias: ciência e tecnologia para combater a contaminação, veículos de comunicação para informar bem e corretamente toda a população, investimento permanente em pesquisa para encontrar vacinas e remédios, e um sistema de saúde unificado para todos.

Pena que ele não foi ouvido pelas lideranças do planeta. E agora estamos pagando caro pela lição que não aprendemos.


Ayne Regina Gonçalves Salviano

(Jornalista, professora, gestora das escolas Damásio Educacional e Criar Redação em Araçatuba) 

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