Editorial

A arte a serviço da vida

A sabedoria popular ensina que a vida imita a arte. Porém, o contrário disso também é verdade, inclusive em sentido mais amplo, ou seja, a arte pode ser poderoso instrumento de conexão da vida das pessoas com a realidade a seu redor.

A história da humanidade está repleta de exemplos de artistas que, através dos dons que Deus lhes deu, serviram de linha auxiliar para mudança de rumos em suas respectivas épocas.

Para não ir muito fundo ao baú, basta lembrar o importante papel da MPB no processo de redemocratização do país, que passou 24 anos sob regime de exceção.

A atitude de resiliência dos setores mais antenados da população teve como trilha sonora músicas como “Prá não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré, cujo refrão era absolutamente explícito: “Vem, vamos embora/que esperar não é saber/quem sabe faz a hora/não espera acontecer”. Ou a antológica “Apesar de você”, de Chico Buarque de Hollanda, engolida pela Censura então presente no meio artístico como se fosse uma canção de amor: “apesar de você/amanhã há de ser outro dia/eu pergunto a você/onde vai se esconder/ da enorme euforia”

Se é verdade que tais exemplos se deram em nível nacional através da música, o engajamento dos seres humanos com temas palpitantes pode ser feito sob a inspiração de outras manifestações artístico-culturais como, por exemplo, as artes cênicas.

É o que está acontecendo sob nossos olhos graças ao Ponto de Cultura Escola Livre de Teatro que tirou do papel um ousado projeto lançado no dia 15 de abril inspirado na peça “Meu quarto, minha inocência—Prevenção na rede”, em encontro de videoconferência.

O tema é instigante —conscientização e combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, que tem data consagrada em nível nacional para tal fim: 18 de maio.

Para levar a mensagem adiante, foi necessário o engajamento da Secretaria Municipal de Educação de Jales, Assistência Social, CRAS e CREAS da região.

O trabalho do Ponto de Cultura extrapola as gravações da peça e será complementado pela confecção e distribuição de apostilas, visando atingir a maior parcela do público-alvo.

A iniciativa dos artistas jalesenses, justamente no mês do 80º aniversário da cidade, é o mais cristalino documento de prova de que a arte tem tudo a ver com o cotidiano da vida das pessoas.


Desenvolvido por Enzo Nagata