domingo 25 julho 2021
Geral

por  Rosiane Cerverizo
 
Finais de ano sempre pedem viagens inesquecíveis e os destinos são sempre a grande dúvida dos viajantes que muitas vezes optam pelos pontos turísticos mais comuns, como Estados Unidos, Europa, América Latina, etc. Para a empresária jalesense Fernanda Cavassana, a escolha pelo roteiro e seu destino final já estava decidido e seria uma escolha pouco comum: a fascinante e mística Índia. Segundo Fernanda, sua paixão pelo país surgiu em 2012, quando assistia um documentário na TV sobre o Taj Mahal e a cultura indiana. 
A empresária lembra-se que somente em meados de 2015 decidiu viajar ao país e conhecê-lo pessoalmente. Realizou pesquisas de lugares e trajetos e preparou-se da melhor forma pois sabia e que o trajeto que percorreria não seria fácil. 
Com tudo pronto, Fernanda despediu-se dos familiares e antes do Natal embarcou para a Índia. Segundo ela, chegando ao país, na cidade de Mumbai, sua primeira indagação foi inevitável ‘O que estou fazendo aqui?’. Mas, logo que saiu do aeroporto, a sensação de estar no lugar errado passou como num passe de mágica. “Quando pisei fora do aeroporto, pude sentir o calor, generosidade, hospitalidade daquele povo, que logo me encantou e me fez sentir parte daquele lugar”. 
Em um mês de viagem, seguiu um roteiro passando pelas principais cidade do país, sendo 15 cidade e vilarejos, somando mais de 35 mil quilômetros rodados. “Deixei o Brasil com roteiro muito bem definido. Visitei as principais cidades turísticas do país de norte a sul: Mumbai, Udaipur, Jodhpour, Jaipur, Hyderabad, Nova Delhi, Agra, Varanasi e Bangalore”. Apesar de ter organizado um longo roteiro e embarcado em mais de 10 vôos, a viagem de Fernanda baseou-se no “lowcost”, ou seja, de baixo custo, o que lhe rendeu um maior contato com o povo e até um convite para participar de um casamento. “Fiquei em hostels que variavam de 5 a 12 dólares porque dormir era apenas um mal necessário. O meu maior objetivo era interagir e entender o máximo possível o costume daquele povo. Dormia de 5, 6 horas e andava de 7 a 10 quilômetros por dia pelas cidades onde passei. O momento que eu mais esperei e fiquei surpresa, foi o casamento que tive a graça de ter sido convidada por um amigo indiano, Nikhilesh Kumar Vangala. Não foi apenas um convite para um casamento, foi proporcionada também a experiência única de conviver com sua família durante 3 dias. Foi incrível! Desde a forma de comer, tomar banho, me comunicar, vestir, beber, foram momentos valiosos para que eu pudesse entender e vivenciar realmente o que é a Índia e o que são os indianos”.
 
CULINÁRIA
Quando o assunto é a culinária, a jovem apreciadora de um bom tempero descreveu seu contato com a pimenta, que é utilizada em quase todos os pratos do país, além disso, Fernanda teve que se adaptar a comer sem talheres. “O que mais me chamou a atenção é que usualmente, mesmo em restaurantes de alto nível, não existem talheres nem copos, eles comem com a mão e bebem no bico. Mesmo arroz, feijão, macarrão e qualquer outra coisa, utilizam a mão para comer. E fazem isso com uma destreza impressionante, demorei 10 dias para conseguir acompanhar o ritmo, que é para nós incomum. Quanto aos pratos, eu sempre fui chegada em pimenta, mas eles são absurdamente fanáticos por ela. No arroz, na bebida, no leite, no chá, em tudo há a opção de colocar pimenta. Inicialmente foi difícil acostumar, mas depois passei a apreciar. A comida deles é fantasticamente saborosa. Os pratos Biryani, Chapati, ButterMassala, ChickenCurry estão entre os meus favoritos. A principal fonte de proteína é o frango, porque como todos sabem, a vaca é considerada um Deus para 70% da população que é Hindu, logo é proibido o consumo no país e maus tratos contra este animal e comercialização desta carne, é considerada um crime. Eu não me lembro de ter comido algo que não tenha gostado, até porque comer, é um dos meus hobbys favoritos”.
 
RELIGIÃO
Quando indagada sobre a religião, Fernanda recordou que este é um tema complexo naquela região, porque os 15% mulçumanos, tentam conquistar espaço, principalmente no sul do país e conversando com várias pessoas, sentiu que elas apenas se suportavam e que esta temática pode ser motivo de conflito entre eles. Sobre a cultura do país que a encantou ela descreve um pouco do aprendizado que trouxe consigo e a reflexão que estar lá teve em sua vida. “Posso dizer que tanto quanto o Brasil, à Índia por sua diversidade cultural regional, é um país encantador. É uma vastidão de cultura sem fim. É impossível conhecer o país em uma única viagem, o que eu posso dizer é que você volta de lá diferente. Posso assegurar que a Índia é um divisor de águas para a concepção do que é a vida. Estando lá, você tem um bom momento para refletir sobre as condições que vivemos e com as quais reclamamos diariamente, sem nos darmos conta do quão difícil pode ser a vida do outro, que por nenhum motivo deixa de sorrir. É um país desorganizado e com diversos problemas sociais, mas nem por isso o sorriso e gentileza deixam de estar presente no rosto daquela gente. Ficou aí uma boa reflexão para minha vida e se alguém tiver a oportunidade de conhecer este país, tenho certeza que trará de lá uma nova concepção, ou pelo menos trará consigo uma boa reflexão”, finaliza Fernanda.
 
*Colaboração Hilton Marques
 
A jalesense, em destaque, foi convidada para o casamento Hindu do amigo indiano, Nikhilesh Kumar Vangala celebrada em Hyderabad
 
Radical a 3200m de altitude, Fernanda conferiu depois de 4 dias de caminhada a bela paisagem formada pelas três montanhas Annapurna Sul, Himchuli e Fistel, no Himalaia
 
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