Exatamente no mês de aniversário da cidade, Roberta Gonçalves da Silva, nascida e criada em Jales, elevou bem alto o nome da cidade ao ser aprovada com nota máxima no Concurso de Livre Docente na disciplina Disfagia Orofaríngea, dias 25 e 26 de abril. Dois dias depois do notável feito, a dra. Roberta foi ouvida pelo Jornal de Jales.

J.J. – O que representa a conquista da Livre Docência?
Roberta –
A obtenção do título de Livre-docente pressupõe maturidade acadêmica, conquistada após a obtenção do título de Doutor, e trata-se da trajetória docente em atividades de ensino de graduação e pós-graduação, pesquisa e extensão com atendimento à comunidade. Este é o penúltimo título da carreira docente. Em 2022 completarei 29 anos na Universidade Estadual Paulista – UNESP-Campus de Marília. A Livre-Docência é um concurso público realizado em dois dias por meio de prova escrita, didática e arguição de todo o memorial da carreira docente com uma banca de avaliadores composta por cinco outros Livre-Docentes.

J.J. – Foi muito difícil chegar onde chegou?
Roberta
– Em qualquer área todas as conquistas profissionais são difíceis, porém é necessário foco, dedicação e determinação. São mais de 20 anos de estudo, prática clínica e pesquisas na área de disfagia.

J.J. – Em síntese, para que os leitores e internautas entendam, o que é a Disfagia Orofaríngea?
Roberta –
A disfagia orofaríngea é um distúrbio de deglutição que acomete o deslocamento do alimento da boca até o estômago e pode ocasionar desnutrição, perda de peso, complicação pulmonar com a entrada de alimento no pulmão, e alterar de forma significativa a qualidade de vida no contexto da alimentação e da inserção social. Além disto, disfagias orofaríngeas graves podem causar o óbito. As disfagias estão presentes em muitas doenças neurológicas, no câncer de cabeça e pescoço e muitas outras. Fique atento aos sinais de tosse durante ou após a alimentação, pneumonias, perda de peso, engasgos, tempo exagerado para deglutir algum tipo de alimento. Fale com seu médico e procure um especialista em disfagia.

J.J. – Você coordena o Laboratório de Pesquisa de Disfagia na Unesp. Há progressos no tratamento?
Roberta –
Os resultados com o programa de terapia correto e realizado por profissional especializado tem eficácia comprovada.

J.J. – Em termos de país, há políticas públicas consistentes para cuidar de pessoas vulneráveis do ponto de vista social?
Roberta –
Não, poucos são os serviços com uma equipe interdisciplinar (médico Otorrinolaringologista, nutricionista, fonoaudióloga, fisioterapeuta, pneumologista, gastroenterologista, neurologista, pediatra e etc.,). Por outro lado, é responsabilidade de cada profissional da área da saúde rastrear este sintoma e efetivar o encaminhamento precoce para o diagnóstico e tratamento.

DRA. ROBERTA, CARREIRA BRILHANTE

Como já divulgou o Jornal de Jales na edição de 06/09/2020, Roberta tem carreira brilhante nos meios acadêmicos. Ela é a coordenadora do primeiro Laboratório de Disfagia de Reabilitação e Pesquisa do Brasil. Também é pesquisadora nacional renomada na área.
A jalesense foi pioneira na atuação com disfagia orofaríngea no Brasil, desde o final da década de 90. Fez Mestrado na Escola Paulista de Medicina, Doutorado na Faculdade de Medicina de Botucatu-Unesp, Pós-doutorado na Universidade de São Paulo-Ribeirão Preto e Estágio de Pesquisa na University of Toronto-Canadá.
Em 2000, fundou o primeiro Laboratório de Disfagia Orofaríngea no Brasil (LADis). É docente da graduação e pós-graduação em Fonoaudiologia da Unesp-Campus de Marília e participa ativamente da proposição do Departamento de Disfagia de sociedades científicas. Foi editora da CODAs por dois anos e é parecerista de várias revistas nacionais e internacionais.

Roberta, de blazer branco, com a banca examinadora composta por cinco outros professores Livre-Docebtes da USP e da UNESP

Jalesense nota 10

Roberta Gonçalves da Silva acaba de conquistar o mais alto grau na carreira de docente da Unesp – Universidade de São Paulo, campus de Marília. No Concurso de Livre Docente que durou dois dias, 25 e 26 de abril, ela foi aprovada com nota máxima na disciplina Disfagia Orofaríngea. Além de docente do Departamento de Fonoaudiologia, a jalesense coordena o Laboratório de Pesquisa de Disfagia da Unesp e é presidente da Academia Brasileira de Disfagia. Roberta é filha de Neusa Aparecida Polezel da Silva e do saudoso Eduardo Gonçalves da Silva. Ela tem contado com todo apoio do marido Silvio e da filha Lívia ao longo da carreira.

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