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Woodstock 50 anos

Realizado entre os dias 15 e 18 de agosto de 1969, o festival atraiu mais de 500 mil pessoas e se tornou um dos marcos da contracultura
25 de agosto de 2019
MARCO ANTONIO POLETTO
Um dos eventos mais importantes do século 20, o Festival de Woodstock completou 50 anos, e as cenas daqueles três dias de rock sexo, drogas, paz & amor ainda permanecem no imaginário mesmo de quem nem era nascido na época. E isso se dá não apenas graças aos filmes, livros, discos que o documentaram, mas também como legado comportamental e musical para as gerações seguintes. Realizado entre os dias 15 e 18 de agosto de 1969, numa fazenda nas proximidades da cidade de Bethel, no Estado de Nova York, EUA, o festival atraiu uma multidão de mais de 500 mil pessoas e se tornou um dos marcos da contracultura da década de 1960, numa época em que o movimento hippie contestava a Guerra do Vietnã e propagava a paz. Era um período de transformações pelo mundo. E a música não saiu ilesa. Pelo único palco do festival, escorado em um canto de uma ampla área de 600 acres, passaram mais de 30 atrações. E muitos desses artistas viraram referências fundamentais para gerações futuras, como Jimi Hendrix, Joe Cocker, The Who, Santana, Janis Joplin e tantos outros. Há casos especiais, como de Hendrix, cuja imagem ficou historicamente associada ao festival, por causa de seu icônico solo de guitarra de Star Spangled Banner, o hino nacional dos EUA, executado de forma ruidosa em protesto à Guerra do Vietnã. Quando se lembra de Woodstock, recorda-se automaticamente de Hendrix, mas também de sexo livre, uso de LSD, público brincando na lama ou nu andando pelo festival. Mesmo num cenário caótico como aquele, sem infraestrutura para receber tanta gente, os relatos que se tem é de que a alegria imperava. Entretanto, ao mesmo tempo que o festival, em seus 50 anos, continua a ser reverenciado como símbolo da revolução comportamental, musical e de pensamentos de uma época. Woodstock promoveu uma catarse coletiva no sentido existencial.
Pensava-se que o horizonte de um jovem não podia ser servir a um exército numa guerra imperialista em uma selva distante. Tem que viver a vida da melhor maneira possível. Isso adquiriu uma dimensão política muito grande à época. De certa forma, isso continua a existir até hoje, toda a esquerda norte-americana é inspirada em um ideal cultural que não é só a luta dos trabalhadores, mas contra a opressão da mulher, de negros, dos homossexuais. Foram todos temas que se encarnaram em Woodstock, que era essencialmente um espaço de aceitação e tolerância, de todos os estilos e pessoas. Woodstock foi um evento com muitos elementos para terminar em tragédia por conta da precariedade de sua estrutura: os recursos eram escassos (alimentos e higiene), havia atrasos entre os shows, havia chuva, muitas drogas estavam sendo consumidas, além do fato de o público ter derrubado a cerca para entrar de graça. Centenas de milhares de pessoas estavam aglomeradas em um local por dias – o que por si só já é uma situação delicada. Mas tudo ocorreu de forma pacífica, sem registros de repressões ou maiores confusões. Make Love, Not War
 
MARCO ANTONIO POLETTO
(é Gestor no Poder Judiciário, Historiador, Articulista e Animador Cultural)