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Você é nomofóbico?

Por PROF. ESP. JORGE LUIS GREGÓRIO
08 de abril de 2019
Prof. Esp. Jorge Luís Gregório
Em maio de 2000, a banda estadunidense Bad Religion, um dos ícones do gênero punk rock, lançou o seu 11º álbum de estúdio, tendo como um dos principais hits a canção “I love my computer” (Eu amo meu computador). Na referida música, os compositores Greg Graffin (vocalista) e Brett Gurewitz (guitarrista) exploram o amor e a dependência de um usuário por seu computador. Versos como “All I need to do is click on you” (Tudo o que eu preciso é clicar em você) e “I get so turned on when I turn on you” (Fico tão ligado quando te ligo) mostram traços culturais de uma época em que os computadores e a web já tinham se tornado indispensáveis no âmbito profissional e pessoal. O tempo passou, e, com o surgimento dos smartphones, os computadores mudaram não só de forma e tamanho, mas adquiriram uma poderosa característica: a mobilidade, o que permitiu ao usuário utilizá-los a qualquer hora e lugar. Entretanto, o uso indiscriminado dessa e de outras tecnologias tem causado diversos problemas relacionados à saúde mental. Um deles é a nomofobia. 
O termo nomofobia é a união de “nomo” (abreviação de “no mobile” – tradução livre para “sem dispositivo móvel”) e do substantivo “fobia” (medo). Assim, pode ser definido como medo irracional de ficar desconectado ou longe dos dispositivos móveis e, por consequência, longe da vida on-line. Uma pessoa provavelmente está com nomofobia se: 1- não consegue ficar mais do que 3 minutos longe do celular; 2- fica ansiosa quando o dispositivo está ficando sem bateria; 3- ao sair, leva baterias reservas e/ou carregadores portáteis; 4- não resiste às infinitas notificações dos aplicativos; 5- sente o dispositivo vibrar mesmo quando ele não está no bolso (síndrome da vibração fantasma); 6- sente desconforto ou ansiedade quando fica sem sinal de internet; 7- checa mensagens e notificações logo antes de dormir e logo após se levantar. Segundo a fisiologista Nerina Ramlakhan, em entrevista ao site BBC Brasil (2015), o perfil dos viciados em tecnologia normalmente se repete: “[...] são pessoas automotivadas, competitivas, agressivas e sentem uma necessidade imperiosa de realizar coisas”. Pessoas com esses traços de personalidade não conseguem se desconectar, dificilmente relaxam suas mentes e, quando o fazem, sentem-se exaustas e sem motivação. Assim, os simples atos de rolar a tela do celular ou “curtir” uma postagem já criam uma sensação de gratificação e controle. 
A psicóloga Catherine Steiner-Adair também faz um alerta aos nomofóbicos que negam o problema e se julgam “multitarefas”, isto é, capazes de realizar muitas coisas ao mesmo tempo: “Vivemos uma diminuição da memória. Não estão desenvolvendo esta parte do cérebro, que é um músculo que necessita de exercícios focados em uma só atividade”. Além da diminuição da capacidade de memorização, são muito comuns os casos em que a nomofobia está no centro dos problemas pessoais e profissionais de diversas pessoas.
Felizmente, de acordo com Ramlakhan, esse mal é tratável, exigindo apenas força de vontade para se ter poder sobre o hábito. Uma das recomendações é a criação do “entardecer tecnológico”, ou seja, quando a hora de dormir se aproximar, afaste-se dos dispositivos móveis, promovendo atividades de relaxamento como ouvir música ou ler um livro. Se tais atividades não forem possíveis sem o uso de tecnologias, prefira dispositivos “desconectados”, ou seja, que não emitam notificações e/ou alertas. Os leitores de livros digitais e os players portáteis de músicas são boas dicas. A fisiologista também recomenda não usar dispositivos móveis na primeira meia hora da manhã. 
De fato, as tecnologias moldam nossos comportamentos e são capazes de nos tonar dependentes além do âmbito profissional. O uso consciente e moderado tem seus benefícios óbvios, porém o uso indiscriminado pode trazer uma série de problemas para a saúde mental, enterrando talentos e sabotando planos. Cuide-se!

Prof. Esp. Jorge Luís Gregório
Docente Fatec Jales 
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