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Vento a favor

Editorial
27 de janeiro de 2019
Cantada em prosa e verso desde os seus primórdios, a condição de Jales como cidade centro de região sempre fez sentido do ponto de vista geográfico, pois além dos 22 municípios de seu entorno é a cidade de porte médio mais próxima de estados limítrofes como Mato Grosso do Sul (46 quilômetros) e Minas Gerais (40). 
Mas, ter privilegiada situação no mapa regional não é suficiente. É necessário que tal posição seja transformada em liderança em todos os níveis — institucional, política e administrativa. 
Por todas estas razões, a eleição, por aclamação, do prefeito Flávio Prandi Franco (DEM) para a presidência da Associação dos Municípios da Araraquarense, mais conhecida pelas iniciais AMA, programada para ontem, dia 26 de janeiro, reforçou a imagem recorrente atribuída a Jales e confirmada ao longo dos tempos. 
Afinal de contas, a entidade municipalista sediada em São José do Rio Preto é integrada por 127 prefeitos de cidades grandes, médias e pequenas o que, por si só, dá uma ideia de seu peso político e, por consequência, da representatividade de seu presidente.
Porém — e sempre tem um porém — se presidir a AMA ilustra o currículo de qualquer homem público, de outra parte exigirá dele um gigantesco esforço no sentido de harmonizar os interesses de uma estrutura heterogênea.
Trocando em miúdos: é claro que as pretensões de Rio Preto, capital da região, administrada por Edinho Araújo, não são as mesmas da pequenina Vitória Brasil, menina dos olhos de Ana Lúcia Olhier Módulo. 
O que fazer? Como agir? De que maneira encaminhar as demandas de cada um dos integrantes da maior associação municipalista do Estado de São Paulo?     
Não existe receita pronta ou prato feito para equacionar tais casos. A única forma de conciliar os objetivos de pequenos, médios e grandes é abraçar causas regionais, cujos efeitos, em maior ou menor grau, possam beneficiar todos os municípios. 
Para tanto, será necessário contar com a boa vontade dos governos estadual e federal, sem os quais é humanamente impossível tirar projetos prioritários do papel. 
Sob este aspecto, o vento sopra a favor do novo presidente da AMA. Em primeiro lugar, João Dória (PSDB) só se elegeu governador graças aos votos recebidos na região abrangida pela entidade, o que lhe garantiu a apertada diferença sobre o adversário Márcio França (PSB).
Não por coincidência a área da AMA é a base eleitoral do vice-governador eleito Rodrigo Garcia, titular da Secretaria de Governo, uma espécie de primeiro-ministro da administração estadual e padrinho político do prefeito de Jales.