sexta 05 junho 2020
Editorial

Vendedor de esperanças

À exceção óbvia das almas tomadas pelo fogo da paixão política, o imbróglio jurídico que redundou na dança das  cadeiras na Prefeitura Municipal não é bom para Jales.
Esta foi a impressão recolhida durante a semana entre empresários e lideranças comunitárias, todos muito preocupados com a instabilidade administrativa decorrente do processo da Facip 97, que desaguou em afastamento do prefeito Humberto Parini (PT) e posse do vice-prefeito Clóvis Viola (PPS).
Com a possibilidade da interposição de novos recursos pelos defensores do prefeito titular, tratativas que dependem de articulação com o poder público municipal ficam suspensas à espera dos desdobramentos do caso.
No plano administrativo, também ficam prejudicados projetos em andamento como o da instalação de campus da Universidade Federal de São Carlos formatado pela Câmara de Ensino Superior da municipalidade  que vem sendo trabalhado desde 2007, no âmbito do Ministério da Educação, e de implantação de  unidade do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, reivindicação levada há dois meses ao Ministério da Ciência e Tecnologia.
Como esses pleitos estão sendo conduzidos pelo petista Parini junto ao governo  do PT, fica a dúvida se  terão a mesmo receptividade  sob a batuta  de Clóvis Viola, do PPS, partido que se alinha no front de oposição no plano federal. 
Por outro lado, em termos de iniciativa privada, na cabeça de qualquer investidor  fica uma pergunta no ar: como levar adiante qualquer tipo de entendimento com a Prefeitura de Jales  se não há, pelo menos por enquanto, a garantia de que, na hora de secar o bagaço, o interlocutor será o mesmo?
Desta forma, caso os advogados de Parini não consigam recuperar o mandato que ele conquistou duas vezes nas urnas,  caberá  a Clóvis Viola uma missão difícil, mas não impossível —serenar  os ânimos e baixar a temperatura política.
Somente desta maneira, propondo uma agenda positiva, mostrando que a cidade não parou,  será possível ao prefeito promover uma política de redução de danos causados pelo imbróglio jurídico em curso.
Ou seja, se a situação jurídica permanecer a mesma, o  prefeito terá que ser muito mais que um administrador eficiente ao longo dos próximos 16 meses.
 O papel que as circunstâncias lhe reservam  é muito maior. Ele precisará vestir a roupagem de navegador sereno em meio às turbulências  do mar revolto.
Ou seja, mais do que prefeito, Clóvis Viola terá que ser um vendedor de esperanças.

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