VESTIBULARES

Vamos realizar sonhos

Já disse várias vezes aqui neste espaço do JJ que dar aulas na instituição que trabalho é um sonho profissional realizado. Para chegar nessa posição foram décadas de esforços, trabalho, lágrimas e suor. Como bem disse a Rainha Marta, do futebol, é preciso chorar para depois sorrir. 
O vestibulando passou por um ano de angústias, dores, incertezas, dúvidas e  as vezes, solidão. Pensando, sozinho,  se o caminho estava correto. Porém,  houve muito esforço, dedicação, luta, estudo, noites sem sono, num trabalho árduo de meses intermináveis. Ou seja, você certamente chega a conclusão de que realmente merece a vaga.
Do outro lado, vem o sistema de ingresso. Ele é implacável. Formado por provas cansativas, desgastantes, abrangentes e difíceis. São gabaritos, resoluções, notas de corte, lista de convocados e lista de espera. Não parece ter fim. Daí, aquele merecimento sentido antes não parece mais tão evidente.
Essa situação fica mais complicada quando analisamos números. O SISU, sistema de seleção para as universidades federais, contam 230 mil vagas para quase 3 milhões de inscritos. Assim, nem 10% dos candidatos experimentarão o gosto da aprovação. A situação se complica ainda mais quando analisamos alguns cursos isolados que chegam a atingir uma relação de 80 candidatos por uma vaga.
Mas, qual o motivo para desnudar esses dados? Desanimar? Desistir? Abandonar? Jamais! A compreensão e análise destes dados deve confortar sua busca pela vaga universitária. 
Ao mostrar estes números quero que, o aluno e a aluna, entendam que a não aprovação no vestibular jamais é por culpa só dele. Se realmente suas ações estão próximas da dedicação que citei anteriormente, garanto que uma única prova não poder parâmetro para lhe avaliar. O estudante é muito maior que isso. Muito mais gigante que um aglomerado de questões aplicadas em poucas horas de prova que serve simplesmente para classificar quem ingressa na vida acadêmica.
Porém, é isso que está posto. A prova do vestibular. Portanto, é nela que a dedicação do aluno, amparado e balizado nas temáticas abordadas pelo professor em sala de aula, que precisamos nos concentrar. 
A partir deste dia 3 de novembro recomendo que o aluno deva encarar como a chegada da grande final. Ele é o camisa 10 do Maracanã lotado que torce pelo gol do título. Eu estou aqui na arquibancada com as cores do seu time, vibrando e torcendo para que os jovens balance as redes.
Mas, se não rolar o título, o gol, a vaga? Bem, se isso acontecer não há problema algum. Mais de 90% dos vestibulandos não conseguiram também. No entanto, fique tranquilo porque eu não mudo de time. Estarei sempre do mesmo lado da arquibancada, com as mesmas cores na camisa, torcendo pelos sonhos de mais 3 milhões de jovens que estão doidos para fazer balbúrdia na faculdade.
A conquista do seu sonho é a alegria do professor. Vai lá e traz essa vaga!
Boa prova!

Eduardo Britto 
(Professor de Geografia do Colégio e Curso Objetivo de São Paulo, graduado pela UNESP, especialista em Gestão Ambiental pela UFSCAR e Mestre em Ensino de Ciências 
pela UFMS)
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