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Valeu, dr. Virgílio!

Editorial
13 de outubro de 2019
Quando, há seis meses, começou a circular a notícia de que os médicos pediatras Antonio Figueira Filho e Virgílio Ribeiro Franco iriam encerrar as atividades da clínica que mantinham aberta desde 1972, a direção deste jornal os procurou.
A proposta aos dois era de colher depoimentos de ambos sobre os 46 anos em que trabalharam juntos atendendo crianças, a evolução da especialidade, a diminuição dos índices de mortalidade infantil em uma cidade de apenas 78 anos, enfim, aspectos do cotidiano do trabalho com milhares de pequenos pacientes.   
A entrevista também contemplaria ouvir deles a sensação de estarem atendendo, hoje, netos ou até bisnetos das primeiras crianças que chegaram à clínica quando ambos, mocinhos, iniciaram sua atividade na cidade.   
Dr. Figueira topou de cara, mas dr. Virgílio, já algo debilitado pela doença, pediu um tempo. Infelizmente, não deu tempo. 
Por volta de quatro e meia da manhã de anteontem, dia 11, horário em que ele acordava  diariamente, dr. Virgílio adormeceu para sempre  após um período de internação na Santa Casa. 
Curiosamente, antes de viajar para o oriente eterno, dr. Virgílio já tinha “falecido várias vezes”, nos dias anteriores,  nas postagens amalucadas de internautas sem compromisso com os sentimentos alheios. 
Mas, resiliente, o bom mineiro deu canseira nos doidos dos teclados,   falecendo como certamente gostaria: na véspera do Dia da Criança e de Nossa Senhora Aparecida e oito dias antes do Dia do Médico, que é comemorado em 18 de outubro. 
Para os que acreditam na existência de um princípio criador, foi uma graça recebida antecipadamente do andar  de cima, onde certamente será acolhido,  eis que o dr. Virgílio era religioso, desses de frequentar as missas dominicais das sete e meia da manhã na Catedral de Jales.
Em resumo, embora ninguém seja insubstituível, nossa cidade, com o falecimento do dr. Virgílio,  diminuiu de tamanho não somente do ponto  de vista médico propriamente dito, mas também sob o aspecto ético. 
A perda também foi significativa no seio da  classe médica, na medida em que ele exerceu funções relevantes como diretor clínico da Santa Casa, presidente da Associação Paulista de Medicina-regional de Jales e incentivador das novas gerações de colegas, a quem lembrava sempre os termos do Juramento de Hipócrates feito por todos os formandos nas solenidades de colação de grau. 
A população igualmente vai sentir falta de  um cidadão comprometido com seu crescimento. Sem nunca buscar holofotes, mas trabalhando nos bastidores, inclusive da política partidária, tendo sido até cogitado para disputar cargos eletivos, dr. Virgílio, enquanto tomava o sagrado cafezinho nas padarias todas as manhãs, era uma espécie de pregador, disseminando ideias que pudessem acrescentar algo aos que dividiam a rodinha com ele. 
Se é verdade que o homem vai, mas os exemplos permanecem, Virgílio Ribeiro Franco fez sua parte. Ou, como resumiu, em uma curta, mas incisiva frase, três horas e meia após a morte dele, o provedor da Santa Casa, Junior Ferreira: “perdemos um homem bom”.
Que ele descanse em paz! É o que deseja a equipe do Jornal de Jales.