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Uma luz no fim do túnel

Editorial
25 de agosto de 2019
Os jalesenses mais preocupados com o interesse público certamente haverão de se lembrar de um instigante estudo de autoria do cirurgião Luís Henrique Leite Nogueira tornado público em 2012.
Do alto de seu inegável conhecimento técnico e da experiência acumulada ao longo de 35 anos na rede estadual de saúde e como membro do corpo clínico da Santa Casa, o conceituado profissional da medicina propôs a instalação em Jales de um Hospital Regional Estadual de Média Complexidade.
Em síntese, o estudo advogava a necessidade do Hospital Regional como forma de atender uma população calculada em 300 mil habitantes, oriundos de 34 municípios, incluindo os 11 da microrregião de Fernandópolis e outros seis municípios ligados a Santa Fé do sul.
Realista, o estudo apontava que, em que pese todo o esforço político e administrativo da Santa Casa de Jales e de seu corpo clínico para vencer estes desafios, o déficit de leitos era flagrante, agravado na época pelo encerramento das atividades dos pequenos hospitais de Paranapuã e Santa Albertina.
Também foi lembrado que as unidades hospitalares que davam suporte a procedimentos não referenciados na Santa Casa de Jales ficavam a 150 quilômetros daqui —o Hospital de Base e o Hospital Regional João Paulo II, ambos em São José do Rio Preto.  
O autor do estudo chegou a apresentar os detalhes do projeto ao Fórum da Cidadania, instância comunitária integrada por entidade de classe, clubes de serviço, instituições filosóficas e associações profissionais, em reunião realizada na Cúria Diocesana. 
Cópias de referido trabalho também chegaram às mãos de lideranças políticas locais ou com atuação em Jales, mas os argumentos não foram suficientes para sensibilizar quem tinha poder de fogo. 
Passados sete anos, o assunto ressurgiu há 15 dias. Incomodado com a demora do Hospital de Base em atender pacientes da região necessitados de cirurgias eletivas, o procurador da República, José Rubens Plates, do Ministério Público Federal em Jales, aproveitou uma reunião com gestores da área de saúde pública para saber se existia uma fórmula de diminuir a fila de espera. 
Entre os presentes estava Luís Henrique, representante do AME, que falou sobre o estudo de sua autoria, ressalvando que o mesmo precisava ser atualizado e adequado às novas legislações.
 O procurador   pediu uma cópia do trabalho, compromissando-se a fazer o que estiver ao alcance do MPF para que os doentes da região não precisem esperar tanto.
A se julgar pela seriedade com que o procurador tem tratado outros assuntos de interesse público, dá para enxergar uma luz no fim do túnel.