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Um simples sorriso pode abrir portas

por Juarez Canato
08 de abril de 2018
Juarez Canato
Se existe uma atividade que se afigura uma espécie de baluarte da economia nos municípios, certamente é a dos comerciantes, sobretudo nas pequenas e médias cidades.
O comércio suporta quase tudo, desde ser principal fonte de arrecadação de tributos nos municípios até as investidas, quase diárias, dos representantes de associações e entidades assistenciais na busca de contribuições.
Não esqueço que, em Jales, por ocasião da realização da FACIP, a comissão organizadora visitava o comércio e os comerciantes eram os primeiros a serem abordados para contribuir com o famigerado “Livro de Ouro”.
Na verdade, os comerciantes colaboravam com a realização da festa e em troca enfrentavam uma espécie de concorrência desleal dos barraqueiros, tendo em vista que estes vendiam praticamente os mesmos produtos encontrados no comércio local. 
A diferença consistia em que, enquanto o comércio local pagava religiosamente os tributos devidos, os barraqueiros pagavam apenas a licença para comercializar na festa.
Tudo em prejuízo dos consumidores, posto que, encerrada a festa, os barraqueiros se escafediam e não respondiam pelos eventuais defeitos nas mercadorias por eles vendidas, quase sempre de baixa qualidade, tudo em afronta ao Código de Defesa do Consumidor.
Entretanto, se os comerciantes merecem encômios por tudo o que representam, há que se ressalvar a pouca relevância do cliente nos objetivos das Associações de Classe dos Comerciantes.
Por ocasião das eleições das diretorias das Associações Comerciais da região observo que, em regra, os objetivos e compromissos quase sempre são dirigidos única e exclusivamente em prol dos associados.
E não mereceriam reproche se, ao mesmo tempo, também fosse lembrada e considerada a importância do cliente consumidor na perenidade da atividade comercial.
Não se pode olvidar que a razão principal da existência do comerciante é induvidosamente o cliente consumidor.
Por isso, penso que o interesse de um não pode sobrepor-se ao do outro, há de coexistir de forma indissociável e recíproca.
O cliente, além da qualidade e preço da mercadoria, quer ser tratado com deferência e amabilidade.
Isto porque, com a forte concorrência no ramo comercial, cada comerciante deve perseguir sempre a fidelização do cliente, pois, do contrário, o freguês até pode comprar por necessidade premente, mas, dificilmente voltará.
E a falta de preparo no trato entre vendedor e consumidor não é um problema localizado ou regionalizado, diria que pode ser detectado em âmbito nacional, salvo honrosas exceções em que alguns comerciários são dotados de virtuosidade inata.
O que se constata no dia a dia são vendedores despreparados, retraídos, reticentes e, quase sempre, mal-humorados, demonstrando dificuldade de sequer esboçar um sorriso.
Aliás, segundo pesquisa publicada pelo Jornal do Comércio, edição de 1º de setembro de 2015, o bom humor faz subir o faturamento e que, em um grupo de dezesseis países, o Brasil lamentavelmente ocupa a penúltima colocação no ranking dos vendedores mais sorridentes.
Penso que a causa desse despreparo não deve ser atribuída aos comerciários, já que um bom vendedor não nasce pronto, por isso, sugiro que as Associações e os Sindicatos Comerciais preparem seus vendedores por meio de cursos específicos de técnica de venda, posto que o profissional categorizado e devidamente preparado facilmente proporciona um canal aberto com o cliente.
E esses cursos poderão ser realizados por intermédio de convênio com o SENAC e os bons resultados certamente reverterão em favor de comerciantes, comerciários e consumidores, pois, quando há bom atendimento, todos saem ganhando.

Juarez Canato
(é advogado em Jales)