segunda 21 setembro 2020
Editorial

Um pote de ouro

O diretor deste jornal faz absoluta questão de enfatizar em aparições públicas como palestrante, mestre de cerimônias ou mediador de debates, a condição de vanguarda dos moradores da cidade em inúmeros setores e desde os seus primórdios.

E para que tal postura não pareça bairrismo idiota recorre a fatos históricos dissecados ao longo do tempo que permitem conclusões neste sentido, evitando assim eventual imputação de bobo alegre ou de viver em uma bolha de alienação.

Pois bem, vale a pena investir em mais alguns argumentos. Por exemplo, assim que assumiu a Provedoria da Santa Casa de Jales, José Pedro Venturini passou a fazer reconhecimento público da importante presença do SUS (Sistema Único de Saúde) na manutenção e sobrevivência de hospitais filantrópicos, aqueles que não visam lucro.

Ao longo dos quatro anos em que permaneceu à frente da Mesa Administrativa (2012-2015), Venturini repetia, como se fosse um mantra, principalmente em entrevistas e solenidades, que o SUS, ao contrário do que afirmavam seus detratores, era, na verdade, “um pote de ouro”.

Pois bem, o bem sucedido empresário deixou a Provedoria, mas suas palavras ainda ecoam na memória dos que ouvem por um ouvido e não deixam sair pelo outro.

O ex-provedor talvez nem esteja sabendo, mas está tramitando na Câmara Federal um projeto de lei tentando incluir a marca oficial dos SUS entre os símbolos nacionais. Segundo a jornalista Sônia Racy, que assina a coluna Direto da Fonte, do jornal O Estado de S. Paulo, Alexandre Padilha, médico infectologista e ex-ministro da Saúde, autor da propositura, defende que a medida, se aprovada na Câmara, em plena pandemia, “seria um reforço na valorização do sistema”.

Hoje, nessa lista, argumenta, estão a bandeira do Brasil, o hino, o selo nacional e as armas nacionais. O projeto prevê também que o símbolo oficial do SUS passe a ser exposto em todas as unidades de saúde, nas ambulâncias e demais veículos da rede pública estadual de saúde, nos uniformes dos trabalhadores de saúde, no material impresso.

Mas, não é só. Na mesma linha de reconhecimento da importância do SUS, um projeto piloto desenvolvido em Jales acaba de ser selecionado entre os 195 melhores do Brasil pelo Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Saúde. Referido trabalho escrito pela cirurgiã-dentista Adriana Maria Jorge Dal’ Acqua Plates, com especialização em Gestão Pública em Saúde e membro do Conselho Municipal de Saúde, em parceria com os médicos Luiz Henrique Nogueira e Sandra Marcondes Corazza (AME), Maurício Favaleça (Santa Casa) e Frederico Marques (Associação Paulista de Medicina) e dentista Rodrigo Camazano (Instituto de Criminalística da Polícia Civil) é outra prova inequívoca da importância do SUS.

Intitulado “Monitoramento Clínico a Distância”, o projeto piloto visa, em última análise, acompanhar pacientes do Covid-19, reconhecer a doença e tratá-la com o amparo do SUS (mais detalhes na página 4 deste caderno).

 Resumo da ópera: apesar dos pesares, principalmente o fato de que o SUS não reajusta as tabelas de remuneração dos procedimentos desde 2007, a conclusão é inevitável: Venturini tinha razão. O SUS é realmente um pote de ouro!


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