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Tudo ao mesmo tempo agora

Por AYNE REGINA GONÇALVES SALVIANO
20 de outubro de 2019
Ayne Regina Gonçalves Salviano
O fato é real. Em recente visita de estudantes do ensino médio público a uma instituição de ensino superior particular de Araçatuba, a visitante, de 16 anos, lascou a pergunta ao professor que recepcionava os alunos abordando sobre as características dos cursos oferecidos e o sistema de ensino: “mas não tem videoaula?”
Quer provocar um professor de instituição de ensino presencial, principalmente os mais velhos e tradicionalistas, é dar algum valor, mesmo que pequeno, para a educação a distância. A maioria dos profissionais faz cara feia, embora eu tenha para mim que é muito mais uma reação de sobrevivência no mercado do que uma crítica coerente ao método.
Mas o educador questionado naquela visita não contra-atacou, apenas questionou a adolescente: “por que você quer videoaula?” E a aluna respondeu com naturalidade: “é porque eu já estou acostumada a estudar assim”. Como milhões – sim, eu escrevi milhões! – de brasileiros, a jovem araçatubense usa as novas tecnologias a seu favor e além das aulas na escola estadual onde está matriculada, participa também de cursos e palestras gratuitos distribuídos diariamente em muitas plataformas da internet.
 Sim, existem aulas de qualidade e gratuitas pelo celular ou na tela do computador. Como não gostar? O aluno não é obrigado a ficar sentado em fila ouvindo uma só pessoa falar e falar por 45 a 60 minutos. Na internet tudo é interativo, com som, imagens e efeitos especiais. 
O profissional da Educação atento já entendeu a nova dinâmica e os mais antigos precisam se atualizar com urgência. O nosso aluno presencial assiste às aulas, mas checa todas as nossas informações e as complementa com os novos educadores digitais. E para quem ainda não conhece esse tipo, apresento: muitos são verdadeiros educadores (e artistas) para reter a atenção do público, explicar didaticamente e conseguir bons resultados.
O futuro na educação já chegou. A sala de aula tradicional agora é um espaço que o aluno aceita porque o conhecimento será complementado por meio da internet. Parece um golpe nos profissionais que se sentiam detentores do conhecimento. Mas é só a nova realidade social. Não somos mais os únicos detentores do conhecimento. Acostumem-se. Melhor: participem deste novo momento. Dividam conhecimento em vários espaços. Conhecimento é para ser disseminado. Não deve ficar preso em quatro paredes.

Ayne Regina Gonçalves Salviano
(É jornalista, professora, gestora do Damásio Educacional e do Criar Redação em Araçatuba)