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Tsunami

Editorial
14 de outubro de 2018
Atônitos e perplexos, cientistas políticos e analistas de todos os matizes passaram a última semana tentando entender o que aconteceu no Brasil no último domingo, 7 de outubro, quando houve eleições gerais.
Como diria aquele que está no spa de Curitiba, “nunca antes na história deste país” se viu coisa igual. Não é exagero afirmar que um verdadeiro tsunami varreu a pátria amada do Oiapoque ao Chuí.
Comecemos pelo alto do mapa. Lá, em cima, em Roraima, o senador Romero Jucá, hábil articulador, tanto que foi líder dos governos Fernando Henrique, Lula e Temer, tentou a reeleição e ficou em terceiro lugar. No mesmo estado, a atual governadora Suely Campos está fora do segundo turno. Em Rondônia, o senador e ex-governador Valdir Raupp vai amargar o ostracismo. No Amazonas, um ilustre desconhecido Wilson Lima, saiu na frente do cacique Amazonino Mendes na disputa pelo segundo turno.
No Maranhão, a família Sarney foi dizimada. Roseana, filha do ex-presidente, que tinha governado o estado quatro vezes, levou uma sova de Flávio Dino, do PC do B, atual governador. O irmão dela, deputado federal e ex-ministro Sarney Filho, que tentou o Senado, dançou.
Na Paraíba, Cássio Cunha Lima, ex-governador e atual senador ficou fora, o mesmo acontecendo com outro colega de Senado, o também ex-governador José Maranhão.
No Sudeste, o eleitor mineiro brindou a ex-presidente Dilma Rousseff, que tentou o Senado, com um carinhoso “tchau, querida”, deixando-a fora do pódio, no 4º lugar.
No Espírito Santo, o pastor Magno Malta, carne e unha com Bolsonaro, e Ricardo Ferraço, ambos senadores, também rodaram. No Rio de Janeiro, um desconhecido ex-juiz federal, Wilson Witzel, deixou o ex-prefeito da capital, Eduardo Paes, à beira do abismo no 2º turno.
No Paraná, não foi diferente. Roberto Requião, ex-governador e senador de três mandatos, vai vestir pijama. Lá, o ex-governador Beto Richa, que queria ser senador, vai ver a apuração do 2º turno pela tevê. 
No Estado de São Paulo, Eduardo Suplicy, tentou voltar ao Senado onde ficara 24 anos, e foi triturado pelo Major Olímpio e Mara Gabrilli.
Aqui na região, mais abalos sísmicos. São José do Rio Preto, que tinha três deputados estaduais — Vaz de Lima, João Paulo Rillo e Orlando Bolçone — fiou sem nenhum, o mesmo acontecendo em Catanduva, que ficou sem os deputados estaduais Marco Vignoli e Beth Sahão e o federal Sinval Malheiros. Fernandópolis perdeu o deputado estadual Gilmar Gimenes e manteve o federal Fausto Pinato.
Ainda na região, salvaram-se os deputados estaduais Analice Fernandes, nascida e criada em Jales e mais votada quatro vezes seguidas na cidade natal, Itamar Borges, ex-prefeito de Santa Fé do Sul, e Carlão Pignatari, ex-prefeito de Votuporanga. Mas, os três com votações abaixo do que tiveram há quatro anos.
O leitor deve ter percebido que, ao contrário do habitual, não identificamos os nomes citados desde o segundo parágrafo pelos partidos a que pertencem. 
Na verdade, foi proposital. O incêndio político-eleitoral queimou candidatos de A a Z.