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Treinamento para Enem inclui sugestão de redação sobre eleições

Segundo o professor Marcondes Cavalcanti e Vânia Goes, diretores do instituto preparatório de alunos para exames de ingresso em cursos superiores, os textos foram produzidos de acordo com os cinco critérios de correção Enem.
28 de outubro de 2018
Júlia Ribeiro Roda e Eduardo Silva Souza
A possibilidade de que as eleições de 7 de outubro último possam ser tema da redação no Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM)  marcada para os próximos domingos, dias 4 e 11 de novembro, levou a direção de Centro de Educação Professor Marcondes a incentivar os alunos a escrever sobre o assunto.
Segundo o professor Marcondes Cavalcanti e Vânia Goes, diretores  do instituto preparatório de alunos para exames de ingresso em cursos superiores, os textos foram produzidos de acordo com os cinco critérios de correção Enem. 
“Ótimos resultados anteriores evidenciam esse formato como muito válido, devido às excelentes notas alcançadas pelos alunos”, comentou o professor Marcondes.
Eis dois dos melhores textos produzidos pelos alunos focados no tema.

07/10/2018 — A FESTA DA DEMOCRACIA, HÁ ALGO A COMEMORAR?

*Por Júlia Ribeiro Roda
 soberania popular brasileira encontra-se desconfigurada em virtude de inúmeros atalhos dos quais os indivíduos fazem uso, indiscriminadamente, o que pode desviar a pátria do seu destino democrático. A polarização de opiniões é resultado, entre outros, das problemáticas questões de ética e práticas políticas viciadas geradoras da corrupção, bem como da falta de conhecimento da população sobre o sistema de governo. Desse modo, o pleito de 07/10/2018 não se constituiu como a plenitude necessária para a efetiva festa da democracia.
A corrupção – perceptível e amplamente arraigada na cultura brasileira – atrapalha os efeitos positivos da democracia. Nos últimos 20 anos, a partir de bases legais oriundas da aprovação da Constituição Federal (CF/88), os combates às amplas e arraigadas discriminações e preconceitos não tiveram os impactos esperados, principalmente devido às múltiplas crises que passaram a vigorar no país. Em outras palavras, os resultados alcançados por essas lutas não culminaram na consolidação da democracia e na redução das desigualdades, pelo contrário, gestou-se uma polarização sociopolítica a qual divide o país em “gente que luta pela democracia” e “gente que luta contra a corrupção e suas consequências”.
Ademais, a falta de conhecimento histórico sobre o sistema político – notadamente os ataques sofridos à democracia em tempos obscuros não tão longínquos assim – é outro significativo obstáculo para o bom funcionamento desta. Exemplo disso é a maioria da população desconhecer como se deu a consolidação do direito ao voto, o que culmina na não valorização desse por parte da população brasileira, o que resulta em não fazer o uso adequado desse instrumento popular. Consequência disso são os inúmeros eleitores, os quais passam o período pré-eleitoral discutindo voto para presidente, entretanto, no dia da eleição dirigem-se aos locais onde votam de cabeça baixa, procurando “santinhos” e os respectivos números, para escolherem candidatos estaduais, federais e senadores, os quais têm imenso peso nas decisões políticas do país.
Por fim, o momento democrático se apresenta retrógrado em relação a sua gênese. Enquanto os brasileiros não compreendem seu próprio sistema de governo, a Antiga Grécia fora repleta de cidadãos que visaram à melhoria da participação política e social grega. Por exemplo, as Ágoras funcionaram como eficientes espaços para discussão. Considerada a relatividade histórica, este povo já valorizava – e muito – os preceitos democráticos. 
Portanto, para aprimorar o sentido de democratização do país, é necessário internalizar a cultura do povo à prática do debate. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação anexar à Base Nacional do Comum Curricular (BNCC), aulas que sejam ministradas por cientistas políticos e tenham como objetivo ensinar, com a devida imparcialidade, os meandros democráticos, bem como promover debates saudáveis entre os candidatos a representantes do povo, além das instâncias do Judiciário barrarem as fake news nas redes sociais, aplicando penas exemplares aos infratores. Desse modo, a data de 30/10/2018, finalmente, configurar-se-á como a efetiva festa da democracia.

Júlia Ribeiro Roda
(aluna do Curso de Redação Professor Marcondes.
Unidade I – Rua 9, nº 2.833, Centro, Jales/SP) 



*Por Eduardo Silva Souza

Na Grécia Antiga, Atenas apresentou uma democracia peculiar: exercida apenas por homens e de forma direta. Diferentemente do regime democrático ateniense, a democracia brasileira é representativa e constitucionalmente acessível a todos os cidadãos. Em 2018, os brasileiros elegeram, mais uma vez, seus representantes na eleição mais distinta da história do país. O último dia 7 de outubro trouxe motivos para comemorações, mesmo que o cenário político e social conturbado os deixem ocultos.
Segundo o filósofo grego, Aristóteles, o homem é um animal político por natureza, ou seja, o ser humano possui fortes vínculos com práticas sociais de interesse público, tais como as eleições. Nesse recente pleito ficou nítido esse engajamento na sociedade, principalmente entre os jovens, o que, por sua vez, deixou a política mais exposta. Assim, em meio ao acalorado dia eleitoral, os cidadãos votaram, cujos resultados foram candidatos eleitos com quantidade histórica de votos – perceptível consolidação das opiniões dos eleitores.
Ademais, as escolhas dos eleitores provocarão consideráveis alterações no Congresso Nacional. Com a imagem desgastada pelos escândalos de corrupção, o Parlamento precisou de metamorfose ideológica e mudanças de integrantes. Foi o que aconteceu! No Senado Federal, por exemplo, houve alta renovação, com 46 novos senadores para as 54 vagas em disputas. Houve, também, aumento no número de parlamentares conservadores.
Embora a balança ideológica tenha se inclinado mais à Direita, a Esquerda ainda possuirá significativas bancadas. Outrossim, houve crescimento da bancada feminista, que se evidenciou pelo aumento de 51% no número de mulheres na Câmara dos Deputados. Portanto, a próxima legislatura será marcada por embates de ideias, debates incisivos e votações disputadas, fatos que fortalecerão o Congresso Nacional como instituição republicana. 
Diante do exposto, percebe-se que o processo eleitoral de 2018 criou um contexto importante para um novo e funcional sistema político no Brasil. Não foram apenas mudanças pontuais, mas alterações relevantes para o regime democrático do país. Para ampliá-las, cabe ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) investir na divulgação de informações oficiais sobre as eleições e no combate às notícias falsas, a fim de que os eleitores se informem cada vez melhor. Em parceria com o Ministério da Educação, a Justiça Eleitoral deve fazer palestras frequentes em escolas e universidades para incentivar a cidadania da juventude. Desse modo, ter-se-á uma sociedade politicamente mais ativa e democrática.

Eduardo Silva Souza
(aluno do Curso de Redação Professor Marcondes.
Unidade II – Av. Mal. Humberto Castelo Branco, nº 4.428, Centro, Palmeira d’Oeste/SP)