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Transfusão de sangue novo

Editorial
25 de fevereiro de 2018
No próximo de 1º de março, quinta-feira, toma posse a nova diretoria da Associação Comercial e Industrial de Jales. Neste caso específico, a palavra nova não é força de expressão, mas retrato perfeito e acabado do que anda ocorrendo no alto da avenida Francisco Jalles, pouco acima do viaduto Antônio Amaro.
Quem leu a edição do Jornal de Jales de domingo passado, 18 de fevereiro, e viu a relação da diretoria eleita há de concordar que foi feita uma verdadeira transfusão de sangue novo nos postos diretivos da ACIJ. 
Na verdade, trata-se de um fato digno de registro, na medida em que, embora nunca tenha havido impedimento quanto à participação da ala jovem na direção da ACIJ, o certo é que, historicamente, o comando, em grande maioria, sempre ficou sob controle de gente mais madura, com a vida feita. Uma das raras exceções foi Sílvio Vicente Marques, em meados dos anos 80, que exerceu a presidência com menos de 30 anos. 
Assim, o entusiasmo dos que colocaram seus nomes à disposição da entidade classista indica que a cidade não fica sempre na mão dos mesmos, como gostam de criticar os eternos arautos do baixo-astral.
Por outro lado, a responsabilidade dos que assumirão suas funções é muito grande na medida em que o comércio é o maior empregador da cidade, o segmento econômico que mais contribui para fazer o dinheiro circular de mão em mão.
Resta sugerir também aos diretores eleitos que procurem sempre trabalhar em parceria com o poder público porque, independentemente das convicções político-partidárias de cada um, deve prevalecer antes de mais nada e sobretudo o interesse público, o que requer desarmamento de espíritos de parte a parte.
Quanto a este aspecto, é bom frisar que, no passado, ACIJ e Prefeitura sempre jogaram juntas. A tal ponto que, em determinadas ocasiões chegaram a exercer, talvez com uma pitada de exagero, até poder de polícia.
Puxando pela memória, vale lembrar episódio emblemático do esforço em benefício da cidade e que, de outra forma e de acordo com as leis em vigor, pode ser revivido.
Por volta de 1983, o Clube Atlético Jalesense disputava a Segunda Divisão de Profissionais e estava nas semifinais do certame. Em certa manhã de domingo, o glorioso Dragão d’Oeste receberia o combativo Vocem, equipe de Assis, no Estádio Municipal Dr. Roberto Valle Rollemberg.
O interesse pelo jogo era tamanho que a Praça do Jacaré amanheceu coalhada de ambulantes vindos do fim do mundo vendendo camisas não oficiais do CAJ. 
Inconformados com a invasão de território, comerciantes da cidade legalmente estabelecidos acionaram a ACIJ, que acionou a Prefeitura.
Minutos depois, surgiram na praça o prefeito Valentim Paulo Viola e o presidente da ACIJ, Nelson Samartino que, sem precisar de força policial, colocaram, no grito, os ambulantes para correr. 
Que fatos desta natureza, devidamente repaginados para nossos dias, sirvam de inspiração para os dirigentes que assumem no próximo dia 1º de março e para o atual prefeito Flávio Prandi Franco.