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Tradição Cultural

por Juarez Canato
25 de fevereiro de 2018
Juarez Canato (é advogado em Jales)
Quem não se deparou com danos praticados por vândalos em placas de sinalização de trânsito, abrigo de ônibus, sistema de iluminação pública, banheiros públicos e etc..
É praticamente imensurável o prejuízo financeiro causado aos cofres públicos por essas ações devastadoras, com repercussão no bolso de cada contribuinte. 
A pergunta que não quer calar é a seguinte: o que leva um indivíduo a cometer atos de vandalismo e depredação do patrimônio público?
Certa vez, em conversa sobre esse assunto com o saudoso amigo Elias Moisés Elias (o Elias do Bazar), fui além dos meus chinelos e emiti opinião a respeito do tema.
Disse que, a meu ver, tais atitudes decorriam da diferença de classes sociais, posto que supostamente os menos favorecidos socialmente tendem ser mais revoltados.
O Sr. Elias era um homem de pouca leitura, mas detinha conhecimento empírico derivado da observação da realidade vivida e da humana sabedoria. 
De acordo com o seu entendimento, esses atos de incivilidades nada tinham a ver com categoria social, e fundamentou sua opinião.
Disse que era diretor de um Clube de Serviço da cidade, cuja admissão era submetida a um crivo e conquanto não tivessem chegado ao extremo de praticar depredação, alguns associados estavam a utilizar os sanitários na sede da Instituição com desleixo, absoluta falta de higiene e o indispensável cuidado com as instalações, não davam sequer ao trabalho de levantar o assento do vaso para fazer xixi.
A diretoria realizou campanhas educativas e não obteve êxito, de sorte que não houve alternativa que não fosse escalar uma pessoa para fiscalizar o uso dos banheiros nos dias de reunião.
Concluiu asseverando: ora, se os associados de um Clube de Serviço, que podem ser considerados uma espécie de elite da sociedade, praticam atos de incivilidade, o que se pode exigir daqueles que habitam a vala comum do populacho?
Explicando analogicamente, o Sr. Elias disse que, nesses casos, há vício de origem, pois, se um confeiteiro erra nos ingredientes de uma massa, tudo o que dela originar carrega a mesma imperfeição.
Isto porque, segundo o Sr. Elias, a verdadeira causa está na falta ou inconsistência da tradição cultural de um povo e citou como exemplo análogo o Plano Marshall que foi implementado pelos Estados Unidos da América do Norte com o objetivo de possibilitar a reconstrução dos países capitalistas devastados pela segunda guerra mundial.
Por intermédio do indigitado Plano, todos aliados receberam ajuda econômica no mesmo montante e, no entanto, somente os países com sólida tradição cultural conseguiram estar entre as maiores potências em dez anos.
Acrescento que a causa também está intimamente ligada à educação. Não à instrução formal, de conteúdo e grade curricular, prestada pelos Estabelecimentos de Ensino públicos ou particulares, mas a educação doméstica ministrada exclusivamente no âmago da família e durante os primeiros anos de vida.
Segundo Carl Marx, o homem não nasce pronto, é produto do meio em que vive, e o meio em que vive tem a ver com costumes e atitude comportamental, componentes da tradição cultural. 

Juarez Canato
(é advogado em Jales)