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Trabalhadores afirmam que não há o que comemorar

por Luiz Ramires
28 de abril de 2019
Sindicalistas reclamam da diminuição de trabalhadores com carteira assinada
O 1º de Maio já foi uma data comemorada em grande estilo em todo o país, mas hoje, pouco se fala e quando o assunto é Dia do Trabalho, o que se ouve são relatos de dificuldades cada vez maiores para a classe trabalhadora.
As afirmações da presidente do Sindicato dos Comerciários, Maria Ramires, não são muito diferentes de outras lideranças ouvidas pelo Jornal de Jales. Ela afirma, por exemplo, que as dificuldades são tantas que não só os comerciários, mas os trabalhadores em geral não se sentem motivados para festas em seu dia.
Maria lembra que primeiro foi a reforma trabalhista que praticamente rasgou a CLT jogando milhões de trabalhadores na informalidade e dificultando qualquer tipo de denúncia sobre abusos patronais, enquanto o desemprego só aumenta com boa parte dos brasileiros desistindo de procurar uma nova colocação.
E agora vem a reforma previdenciária para tirar o pouco dos benefícios que ainda restavam para os aposentados e pensionistas que trabalham a vida toda para chegar no fim dos seus dias sem a menor possibilidade de ter uma vida digna.
“Não dá para comemorar. É preciso mobilização, cada um com seus respectivos sindicatos para que o pacote de maldades nãos seja tão cruel”, conclui.

DIFICULDADES
O Dia do Trabalho é uma data muito importante que sempre foi comemorada, mas nos últimos anos o trabalhador vem sofrendo com os problemas sócio-econômicos que o país atravessa, como afirma o presidente do Sindicato dos Motoristas de Jales e Região e secretário jurídico da Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado de São Paulo, José Roberto Duarte da Silveira.
José Roberto explica que o trabalhador é sempre o primeiro a pagar a conta quando a situação fica difícil. Ele também sabe que quando as empresas enfrentam dificuldades, os trabalhadores também sofrem.
No caso dos motoristas, enquanto a inflação chega a 4% ao ano, o combustível aumenta três ou quatro vezes por semana, a energia aumenta e a defasagem nos salários é cada vez maior, levando a sobrecargas de trabalho para melhorar um pouco a renda.
Por tudo isso, José Roberto também afirma que mais do que nunca o trabalhador precisa se unir ao sindicato que é a sua defesa, nos seus direitos, no seu salário e nas suas condições de trabalho.

POLÍTICA DESASTROSA
Na área rural não é diferente, como afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jales, Wilson Donda. O meio rural vive uma fase de muitas angústias, pois além de ter que se preocupar com a produção e comercialização dos produtos, sempre rezando para ter bom tempo e preços justos, o agricultor só vê crescerem as dificuldades para receber, pois a inadimplência vem aumentando muito. Esse calote de muitos compradores se soma às dificuldades do que Donda considera como sendo uma política desastrosa que penaliza cada vez mais a agricultura familiar e o trabalhador rural mensalista e diarista.
Donda também lembra que primeiro foi a reforma trabalhista que deixou o trabalhador rural mensalista e diarista à mercê da própria sorte, retirando direitos e excluindo o sindicato do direito de defendê-lo principalmente nas homologações trabalhistas, quando tinha um papel importante na conferência dos valores devidos.
Agora, como afirma Donda, vem a nefasta reforma previdenciária, dificultando a aposentadoria e querendo estabelecer novas idades mínimas, contribuição incompatível com a produção e ainda retirando dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais o direito de emitir a Declaração de Atividade Rural para fins de aposentadoria, passando para a Anater (Agência Nacional de Extensão Rural) que não dispõe de escritórios em 99% dos municípios.
Como os demais sindicalistas, Donda também acredita que não há muito que comemorar, mas sim intensificar a luta em busca de avanços, procurando brecar os retrocessos que querem impor ao meio rural.

APRENDIZADO
O professor e coordenador da sub sede de Jales da Apeoesp, Edilson Teixeira dos Santos lembra que neste 1º de Maio comemoramos o Dia Internacional do Trabalhador.
Ele envia uma mensagem à categoria, dedicando esse dia para todos aqueles que lutam dia após dia para a dignidade e honra. “Hoje, passados 35 anos de perdas de direitos trabalhistas e sociais, o grito deveria ser o mesmo, porque a situação dos trabalhadores hoje é pior que no estado corporativo”.
Edilson afirma que “a recente legislação também ampliou o cardápio de relações com baixíssima proteção e fácil descarte”.
O coordenador da Apeoesp afirma que “vivemos uma época laboriosa, com momentos árduos que exigem nosso empenho e suor cada vez maior. Que estes dias difíceis sejam momentos de aprendizado, para que a vitória tenha o sabor especial da conquista. Que você seja sempre um gigante, o orgulho para seus familiares e para o seu país”, conclui.