quarta 14 abril 2021
Editorial

Todas as vidas importam

Exatamente na terça-feira, 30 de março, véspera da vigência do decreto municipal assinado pelo prefeito Luís Henrique Moreira (PSDB), impondo severas restrições à população visando conter a cadeia de transmissão do coronavírus, a cidade foi sacudida, no final da tarde, por uma notícia que mexeu com corações e mentes.

Coube à equipe da Secretaria Municipal de Comunicação revelar o tamanho da tragédia. Em nota oficial, foi divulgada, por volta de 16 horas, a ocorrência de cinco óbitos na Unidade de Síndromes Gripais da UPA de Jales — quatro contaminados pelo vírus e o quinto esperando confirmação após exame de material coletado.

Eram pessoas que estavam sendo tratadas na UPA por falta de vagas nas UTIs da Santa Casa de Jales e dos demais hospitais da região, todos com 100% de ocupação em seus leitos.

Não foi o primeiro caso de comoção. Uma semana antes, a população se chocou com o caso da universitária Renata Satim, de apenas 21 anos, aluna do curso Estética e Cosmética da Unijales, vitimada pelo vírus. O detalhe de horror é que, 15 dias antes, o pai dela também tinha falecido pelo mesmo motivo.

Na verdade, a hecatombe sanitária que, em maior ou menor grau, devasta o planeta, já vem fazendo vítimas desde o início do segundo semestre do ano passado, quando este jornal registrou o efeito demolidor da Covid-19 na pequena São Francisco, a 19 quilômetros de Jales.

Em apenas 72 horas, o vírus invisível e traiçoeiro tirou a vida da dona de casa Ana Angélica Ramos (no dia 20 de agosto), de sua filha Antonia Angélica Faez, a Toninha, funcionária da Prefeitura Municipal (no dia seguinte, 21) e do chefe da família, Antonio Pires da Silva (no dia 23).

Estes casos são apenas alguns exemplos recentes e trágicos dos efeitos da Covid-19 a que todos estamos sujeitos, independentemente de idade ou condição social.

Por esta razão, o prefeito Luís Henrique agiu bem ao partir para a medida extrema, o lockdown, pois, como advertiu lá atrás o professor mestre Eduardo Britto, docente do Colégio e Curso Objetivo em São Paulo, articulista-colaborador deste jornal, o risco de tragédia era grande.

 Com base em estudo da Unesp, onde se graduou, ele anteviu o que está acontecendo agora, dada a condição geográfica de Jales como cidade centro de região, distante 40 quilômetros de outros dois estados.

Tomara que o lockdown, que termina hoje, 4 de abril, funcione, pois independentemente de nome e sobrenome, todas as vidas importam.


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