Editorial

Tijolo por tijolo

Na última quarta-feira, dia 10 de junho, a Unidade de Jales do Hospital de Amor completou 10 anos de instalação. A melhor forma de dizer “graças a Deus” pela existência daquele espaço de cura foi a celebração de missa presidida pelo padre Valdair Rodrigues, às 19 horas, transmitida pelo canal da Catedral no YouTube.

Discorrer sobre a importância do hospital em Jales é chover no molhado. Os robustos números falam por si. O Hospital de Amor jalesense oferece atualmente, por mês, 12.223 exames de diagnóstico, 5.992 consultas, 128 cirurgias, 1.696 quimioterapias e 2.665 procedimentos de radioterapia.

Detalhe da maior significação e que merece ser enfatizado nestes tempos de pandemia em que a saúde pública está sendo questionada: ninguém paga nada. Todo o tratamento é feito por uma equipe de alto nível, com tecnologia de ponta e a custo zero.

Mas, por conta da comemoração do 10º aniversário, é importante lembrar que a existência de uma instituição deste porte em Jales honra as melhores tradições de nossa cidade.

 Para resumir, tudo começou em 2004 quando Pérola Maria Fonseca Cardoso, então pacata dona de casa, irrompeu na redação deste jornal pedindo apoio para a divulgação de um chá beneficente como forma de agradecer o tratamento recebido no Hospital de Câncer de Barretos.

Em 2005, três professoras, todas portadores de câncer, iluminadas pela luz que vem do alto, lideraram a fundação da Associação de Voluntários de Combate ao Câncer —Ana Maria Saura Rodrigues (presidente), Gema Aparecida Prandi Rosa (vice-presidente) e Maria Aparecida Caselli Iglésias Freitas (secretária-geral).

O crescimento da AVCC, que se transformou em uma potência, sua ação efetiva em favor de pacientes oncológicos em espaço da Fundação Dr. Masaru Kitayama, presidida por Alessandro Ramalho, tornou-se a pedra de toque de um movimento comunitário sem precedentes na história de Jales.

Em 2008, lideranças da cidade começaram a sonhar com a instalação de uma unidade do Hospital de Câncer de Barretos. Resistente a princípio, Henrique Prata, dirigente máximo da Fundação Pio XII, começou a mudar de ideia quando, convencido pelo deputado federal Vadão Gomes, veio conhecer um hospital em construção de propriedade da Unimed de Jales, cujas obras tinham sido interrompidas por conta de pendências decorrentes da mudança da legislação das cooperativas médicas.

O barretense veio, viu e gostou. Foi aí que entrou em cena o prefeito Humberto Parini que, em um trabalho de engenharia jurídica, propôs trocar o recinto da Facip, propriedade da Prefeitura, pelo hospital em construção da Unimed, para repassá-lo à Fundação Pio XII, única forma de viabilizar o projeto.

O martelo foi batido depois que o secretário estadual de Saúde, Barradas Barata, esteve em Jales para conhecer o prédio. Bem impressionado, sensibilizou o governador José Serra, que autorizou a destinação de R$ 22 milhões para o término da obra e aquisição de equipamentos.

Enfim, a existência de um centro de excelência em tratamento oncológico em Jales não foi obra do acaso. É exemplo perfeito e acado de construção coletiva, tijolo por tijolo.


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