Editorial

Tentando evitar o pior

A reunião articulada pelo prefeito de Jales, Flávio Prandi Franco, segunda-feira, dia 29 de junho, na Câmara Municipal, para discutir medidas suplementares de combate ao coronavírus comporta algumas reflexões.

A primeira delas: ao convidar os colegas das cidades médias como Ademir Maschio, de Santa Fé do Sul, e André Pessutto, de Fernandópolis, representado no ato pelo secretário municipal de Saúde, Ivan Veronesi, para compor a direção daquela reunião de trabalho, o chefe do Executivo jalesense reproduziu, em certa medida e com a devida distância do tempo, o que fizeram lideranças jalesenses em outros tempos.

Por exemplo, em 1970, o então prefeito Edison Freitas de Oliveira, na largada da campanha pró-construção da ponte rodoferroviária sobre o rio Paraná, procurou dividir com os colegas da região aquele sonho que parecia tão distante. Mas, 28 anos depois, o presidente Fernando Henrique Cardoso inaugurou a obra.

De outra parte, também foi graças à união regional que a Rodovia Euclides da Cunha deixou de ser a “estrada da morte”. Para quem não se lembra, o tiro de partida da duplicação foi dado em reunião na mesmíssima Câmara Municipal de Jales pelo então presidente da edilidade, José Pedro Venturini, em 1998. Apesar do desestímulo de um secretário estadual presente, a movimentação valeu. Tanto que o governador Geraldo Alckmin liquidou a fatura 10 anos depois.

Visto desta forma, o enfrentamento da pandemia também não poderia ser feito por um prefeito isoladamente, mas pelo engajamento de todos os 35 que gravitam em torno das cidades localizadas no eixo da rodovia.

E, registre-se, a reunião de segunda-feira também não comportava achismos, razão pela qual a presença do médico infectologista Maurício Favaleça deu o suporte técnico-científico que a gravidade do caso exige.

O avanço da Covid-19 em nossa região vem assustando, mas não foi por falta de avisos e advertências.Lá atrás, no começo de tudo, o articulado padre Eduardo Lima, então vigário de Urânia e criador da Missão Univida, de caráter humanitário, escreveu no J.J. um artigo denominado: “Tempo vivido: reflexões sobre a pandemia do coronavírus”.

Quase em termos de premonição, o sacerdote anteviu o cenário: “nas cidades pequenas, do interior, como é a maioria das que compõem a Diocese de Jales, as pessoas tendem a imaginar que estão protegidas, que o vírus não vai chegar até aqui. Muita gente desrespeitando a quarentena, ignorando a recomendação do isolamento social. Mas é justamente nestas localidades que possuem menor estrutura hospitalar para manejar os casos graves que basta uma pessoa infectada para, em poucas semanas, causar um efeito catastrófico justamente ali”.

Salvo melhor juízo, foi exatamente desta maneira, com quase as mesmas palavras, que prefeitos e demais lideranças presentes se referiram ao que está acontecendo em suas cidades, com embalos em ranchos, reuniões familiares tocadas a churrascos e toda sorte de desatinos.

Em síntese, só uma força-tarefa e o engajamento de todos será possível evitar que o pico da doença, previsto para a semana que começa, enlute dezenas de famílias em nossa região.


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