jornaldejales@melfinet.com.br
17 3632-1330

Tempos...

Perpectivas por MARCO ANTONIO POLETTO
16 de setembro de 2018
Marco Antonio Poletto
Em tempos de holofotes para bolsonaros, malafaias, frotas e fundamentalismos de todo tipo, da apologia constante às ideias machistas, racistas e preconceituosas nas redes sociais e do aumento da violência contra pessoas LGBTS e o crescente assassinato de jovens negros em todo o território nacional, temos a sensação de que vivemos um delicado e sombrio período da nossa história.
Porém, muitas vezes esquecemos de que pensamentos e bandeiras reacionárias, inclusive de natureza fascista, sempre estiveram presentes nos projetos e discursos da direita no país, ora de forma mais visível ora de maneira dissimulada. Nesse sentido, a luta em defesa da democracia e contra o Golpe em curso deve incorporar obrigatoriamente o combate ao fascismo nas ruas, nas mídias, nas escolas, no parlamento, em todos os espaços. Sem vacilo e sem descanso. Por isso, este texto abaixo do Luís Fernando Veríssimo torna-se leitura obrigatória.
“Não acabo amizade por causa de política.
Se você concorda que os portugueses não pisaram na África e que os próprios negros enviaram seus irmãos para nos servir, acabo a amizade pelo desconhecimento da História.
Se você concorda que de 170 projetos, apenas 2 aprovados, é o mesmo que 500, acabo a amizade por causa da Matemática.
Se você concorda que o alto índice de mortalidade infantil tem a ver com o número de nascimentos prematuros, acabo a amizade por causa da Ciência.
Se você concorda que é só ter carta branca para que a PM e a Civil matem quem julgarem merecer, acabo a amizade por causa do Direito.
Se você concorda que não há evidências de uso indevido do dinheiro público, mas acha que é mito quem usa apartamento funcional “pra comer gente”, acabo a amizade pela Moral.
Se você concorda que Carlos Brilhante Ustra não foi torturador e que merece ter suas práticas exaltadas, acabo a amizade por falta de Caráter.
Se você concorda que o Bolsonaro participou, aos 16 anos, da perseguição ao Lamarca, acabo a amizade por falta de Verossimilhança.
Se você concorda que não temos dívida social com um povo que foi arrancado do seu mundo pra servir a outro e que diferenças de tratamento étnico-racial é historinha, acabo a amizade por Racismo.
Se você concorda que as mulheres devem ganhar menos por gerar vidas e que são frutos de fraquejadas, merecendo serem estupradas ou não, de acordo com a sua aparência, acabo a amizade por Misoginia.
Se você concorda que não há possibilidade das pessoas viverem sua sexualidade livremente, com direitos e deveres como qualquer cidadão ou cidadã, mas que devam apanhar para aprender o que é certo, acabo a amizade por Homofobia.
Como vocês podem ver, não acabo a amizade por causa de política.
Acabo pela ignorância, truculência e pelo desrespeito que acompanha quem diz que não se acaba amizade por causa de política.
O fascismo não se discute, se combate.”

Marco Antonio Poletto 
(é gestor no Poder Judiciário, Historiador, Articulista e Animador Cultural)