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Tamanho não é documento

Editorial
08 de abril de 2019
Fábio Marcondes (PR), vereador mais votado em São José do Rio Preto, comemorou como se tivesse marcado o gol do título a aprovação de projeto de sua autoria, no início da semana que passou, extinguindo o chamado “recesso de inverno”, quando a Câmara Municipal não funcionava.
Empolgado, o nobre edil deu entrevistas para jornais, rádios, emissoras de tevê, sites e blogs, garantindo que o Legislativo rio-pretense tinha tomado uma decisão pioneira que deveria ser exemplo para as demais Câmaras Municipais do Brasil. 
Em que pese o mérito da iniciativa, Fábio chegou atrasado. O pioneirismo da iniciativa de acabar com as “férias” de julho não é dos vereadores da poderosa São José do Rio Preto, com seus 500 mil habitantes, mas da nossa Jales, com seus 50 mil moradores.
Vamos aos fatos. Em 2003, a combativa vereadora Aracy Murari Cardozo (PT), conhecida no magistério como Professora Tatinha, apresentou Emenda à Lei Orgânica do Município de Jales, extinguindo o recesso de julho. A proposta foi aprovada por unanimidade e mereceu aplausos da comunidade.  
Mas, os avanços de Jales em termos de cidadania não se restringem a esse fato isolado. A direção do jornal tem pregado insistentemente inclusive em eventos como o Seminário “30 anos de Constituição-Combate à Corrupção”, promovido pelo Ministério Público Federal em Jales em parceria com a OAB, dia 18 de agosto de 2018, que nossa cidade não é melhor nem pior do que as cidades vizinhas: é apenas diferente.   
 Salvo eventual engano, nenhuma cidade brasileira comemorou os 30 anos de vigência da Constituição de 1988 com um evento daquele porte, colocando, de um lado, advogados do tamanho de Guilherme Battochio e Gustavo Badaró, e do outro, representantes do Ministério Público Federal como Douglas Fisher e Rodrigo Janot, na época, celebridade nacional e terror dos poderosos de plantão. 
E para ficar em um exemplo recente, não custa recordar o que aconteceu em Jales no dia 29 de março. Embora a sede da Associação dos Municípios da Araraquarense, com 127 prefeitos, seja em São José do Rio Preto, coube a Jales, por iniciativa do prefeito Flávio Prandi Franco, presidente daquela associação municipalista, promover o” Seminário  Finanças e Meio Ambiente como alternativas de desenvolvimento”, com as presenças de Milton de Melo Santos, nº 2 da Secretaria Estadual de Fazenda, Fernando Wolmer, da cúpula da Cetesb, do tenente biólogo Weber Novaes, da Força Aérea Brasileira e de Sebastião Misiara, presidente da União dos Vereadores do Estado de São Paulo. 
Mais importante do que tudo, o seminário não se resumiu a blábláblá.  Daquele encontro saíram decisões de interesse para toda a região como a liberação de aeroportos próximos a aterros sanitários e de soluções para o problema dos resíduos sólidos, os chamados lixões.
Diante desses fatos concretos tendo Jales     no epicentro, há que se concordar com os antigos: tamanho não é documento.