quarta 14 abril 2021
Arquibancada

Tá chegando a hora!

A perda da invencibilidade de 15 jogos no Campeonato Brasileiro ainda mantém o Palmeiras isolado na liderançacom cinco pontos de vantagem em relação ao vice-líder até o início da atual rodada. O bom retrospecto como mandante, além do baixo número de derrotas e do ataque eficiente mantém o torcedor alviverde confiante.
Todavia, o Palmeiras, como um todo, caiu de rendimento. Embora tenha sido eficiente em quase todos os últimos jogos, a queda passa pelo mau momento de Gabriel Jesus. Apesar de saber jogar tanto centralizado – de costas para a marcação – quanto pelos lados, o garoto não tem tido uma posição fixa. Sua escalação depende de quem o acompanha. Com uma referência na área, Jesus tem atuado pela esquerda. Tais mudanças, certamente, afetam o entrosamento.
Além disso, o foco na Inglaterra pesa. O camisa 33 jura que só pensa no Verdão. Negociado desde o meio da temporada com o Manchester City, é difícil para qualquer um não pensar no futuro. Hoje, Gabriel não é mais um desconhecido no futebol nacional. Eleito a revelação do Brasileirão do ano passado e candidato a artilheiro da atual edição, tem sido caçado pelos adversários – são 80 faltas sofridas em 23 partidas. No duelo entre seleções, entretanto, a popularidade ainda é bem menor. 
A pressão pela taça que não vem desde 1994 também pode ser uma das razões pelo mau desempenho recente. Depois da medalha de ouro olímpica, a revelação palmeirense tem sido pouco efetivo. Sem marcar desde 14 de setembro, perdeu o faro de artilheiro e tem desperdiçado as poucas oportunidades que tem. O nervosismo dentro de campo também tem sido crucial: são 10 cartões amarelos, uma média de 0,43 por jogo. Mais: apesar da pouca idade (19), o atacante não é máquina. O fato de jogar na seleção, pegar o jatinho de Paulo Nobre e atuar pelo Alviverde no dia posterior também interfere dentro de campo.
Para o duelo deste domingo, diante do Internacional, na Arena Palmeiras, Moisés, uma das principais peças da equipe, é desfalque pelo terceiro cartão amarelo. A substituição do volante, que esteve em 31 dos 33 jogos disputados pelo Verdão até aqui, é o principal desafio de Cuca. Opções não faltam. Há três alternativas que são mais prováveis. Cleiton Xavier, que tem a capacidade de armar o jogo com trunfo, pode ser utilizado, apesar de ter perdido espaço. Allione, atuando mais adiantado, aberto como ponta no ataque, também pode fazer a função. Por fim, Dudu é o nome que mais me agrada. O camisa 7 é um dos mais regulares do time e já desempenhou essa missão. Jogando mais centralizado, poderia dar criatividade na armação, já que é o líder de assistências do Verdão no Brasileirão – nove em 29 partidas. Até o polivalente Zé Roberto pode ser adaptado no meio, mas corre por fora.
Acredito que o grito de “É campeão!” seja questão de tempo, nação palestrina! Mas pedir paciência em um momento como esse não é tão simples assim.

Lucas Colombo Rossafa
 (jalesense, aluno do 2°ano de jornalismo da  PUC/Campinas) 

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