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Sucateamento da educação no estado de São Paulo e no Brasil

Proletarização da Educação
02 de junho de 2014

Não é de hoje o sucateamento da educação no estado de São Paulo e no Brasil, tratarei aqui do estado de São Paulo porque vivo nele e conheço como funciona a educação.
Sem me prolongar com acontecimentos históricos que levaram nossa educação até onde ela está hoje, me apegarei a alguns fatores que ocorrem hoje.
A cada dia fica mais fácil para o governo derrubar o nível da educação pública, aumentando o poder de manipular toda a população. A maior força do governo nos dias de hoje não vem de sua maior capacidade de administrador ou capacidade de negociação política, e sim do extremo baixo nível político-cultural da maioria do corpo docente. Fato que leva esta categoria a ter um sindicado que diz amém às vontades do governo-patrão. Tal sindicato que se presta somente a apoiar incondicionalmente o patrão e organizar excursões para membros de tal sindicato para fazer compras na capital.
Quando se fala em reivindicações da categoria, simplesmente lastimável, a classe se consola como um bônus-esmola-calaboca anual que garante o sorriso cordato e o voto de professores- cordeiros. A administração da educação tem como preocupações manter o aluno na escola ( depósito-creche), disciplina (apenas para que não se destruam e que professores possam suportar os mesmos dentro das salas de aula), busca incessante pelo fim da reprovação (basta fazer aniversário para ser “reclassificado” para a série seguinte) e evasão (melhorando estatísticas para agradar o patrão); aprendizado: figura mitológica que dizem um dia ter andado por estas escolas paulistas, este não é mais um fator que causa preocupação para nossos norteadores. Definitivamente conhecimento-cultura não combinam mais com escola, novos tempos.
Tão grave quanto o descaso com nossa juventude classe média baixa é o descaso pelo professor. O governo do estado vem sistematicamente destruindo qualquer resquício de plano de carreira que ainda havia. O professor não tem mais garantia alguma da manutenção de seu cargo conquistado através de concurso público (sendo competente ou não), ocorrem mudanças estruturais como, por exemplo, Escola Integral onde os professores são “despejados” de seus cargos e os novos professores lecionam sem um cargo definido. Finalmente a proletarização do professor se dá exigindo que os professores permaneçam oito horas por dia na escola, mesmo sem lecionar e eventualmente substituir colegas de disciplinas alheias a dele.
 
   David Patrício de Almeida Santos
(Professor aposentado da rede estadual de ensino)