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Sou visto, logo existo

René Descartes, o célebre filósofo nascido em La Haye, trás-nos um de seus pensamentos mais famosos “Penso, logo existo” que, em suma, pressupõe que o indivíduo vive da razão, o que lhe faz viver no mundo é a racionalidade
06 de fevereiro de 2012

 

René Descartes, o célebre filósofo nascido em La Haye, trás-nos um de seus pensamentos mais famosos “Penso, logo existo” que, em suma, pressupõe que o indivíduo vive da razão, o que lhe faz viver no mundo é a racionalidade, pois em tudo há a dúvida e, a dúvida é uma forma de pensamento, logo, o pensamento move as coisas. Em uma leitura um tanto mais holística, acrescentaríamos a este conceito um outro, o “sinto, logo existo”. Este, propõe que o ser é adotado, além de sua razão, de sua emoção, que aliadas, o movem daqui para lá. Embora, haja quem aja somente pela racionalidade, outros agem somente pela sentimentalidade. O que não é de toda segurança, pois, é como voar uma aeronave que possui apenas uma asa, certamente que o voo não vingará. No mundo contemporâneo cercado de tendências, tecnologias, inovações bruscas e esdrúxulas, consideramos um outro conceito, este porém, muito mais nocivo. Eis o “sou visto, logo existo”.
O indivíduo do mundo atual é bombardeado a todo o momento pela mídia, que define o corpo perfeito, a roupa perfeita, a música perfeita, a pessoa perfeita. Aquela que, se não estiver com a roupa da moda, o carro do ano, o corpo malhado e ouvindo o que todo mundo ouve é rotulado como o “diferente”, o “estranho”, enfim, é, mesmo que indiretamente, excluído dos demais. Com essa forte pressão e opressão, surge do ser humano uma necessidade infeliz de se fazer visto. É quando o indivíduo busca algo para se sentir amado e/ou conhecido.
A internet, uma nova ferramenta que multiplica a cada ano o número de usuários, é um meio de se divulgar ideias, conceitos e de se projetar como pessoa para o mundo. Entretanto, este espaço virtual acaba tornando-se palco para as mais horrendas coisas. São vídeos, “músicas”, frases, imagens, e web sites completos de ignorância e mais ignorância de gente que precisa ser visto para se sentir vivo. O curioso é que, todos os grandes nomes que a história consagrou, em vida, a grande maioria deles viveram no anonimato, fazendo assim com que sua obra fosse reconhecida apenas após sua morte. Estes homens não possuíam beleza física, nem carro do ano, nem roupa da moda e, no entanto, são hoje os pilares da história. Sejam eles das artes, das ciências, da filosofia. Essa dicotomia de gênios mostra-nos que, quando mais vazia é uma pessoa, mais necessidade ela tem de se projetar.
Em suma, a inteligência cala aos vazios e eterniza no tempo. A ignorância, porém, é como a carroça vazia, que, por não possuir carga produz um barulho ensurdecedor, ou seja, o homem vazio, grita, enquanto o inteligente silencia, pois, o seu silêncio é a própria sabedoria.
“O que sabemos é uma gota, o que ignoramos, um oceano”. Isaac Newton
 
 André Gandolfo
(Poeta, compositor e técnico em Administração, 17 anos)