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Sorvete americano no portão da escola

Por Marçal Rogério Rizzo
28 de julho de 2019
Marçal Rogério Rizzo
Dia desses, eu e minha esposa estávamos papeando com nossos amigos de longa data João Durval e Lilian, justamente sobre nossa época de infância, adolescência e, claro, tempos de escola. Muita coisa foi tirada das gavetas da memória. Aqui cabe relembrar o sorvete americano que ficava no portão do DOC e, com ele, trazer um sopro da infância que vivi em Jales. Nessa conversa, fechei os olhos, respirei fundo e senti saudades daquela época. Até pude ver a imagem do portão do DOC.
Talvez seja necessário me expressar melhor, em especial para aqueles que não são ou não foram de Jales. “DOC” é a sigla para Deputado Osvaldo de Carvalho, que é o nome carinhoso que foi dado a uma escola estadual localizada no centro da cidade de Jales.
Quando estava escrevendo estas recordações, houve um momento em que cheguei a pensar que era injusto serem somente lidas; deveriam ser saboreadas! Sorvete americano no portão da escola... Que delícia! A leitura do relato é muito pouco para a sensação que tínhamos à época ao nos deliciarmos com uma casquinha do tal sorvete americano. 
Gostaria mesmo era de ter poderes mágicos para fazer cada leitor ou leitora sentir o sabor daquele sorvete, naquela época e, claro, naquele local. Aliás, melhor seria se tivesse a máquina do tempo, ou a lâmpada mágica do gênio para levá-los ao portão da escola para experimentar um daqueles gostos de infância. 
No mesmo prédio do DOC, funcionava a biblioteca municipal, aonde, às vezes, ia retirar algum livro e aproveitava para uma casquinha. Do sorvete, claro.... Também consagrava minha ida ao DOC quando saía mais cedo do Dom Arthur, que era a escola em que estudava na época.  Era coisa simples, sem luxo, porém a sensação era maravilhosa. Para mim e toda a molecada da escola daquela época, era o melhor sorvete do mundo. Era feito em uma máquina barulhenta, que comportava seis sabores; três de cada lado. Muitas vezes não tinha os seis; não raro, faltava um ou outro. Mas isso não era problema; rapidinho substituíamos o preferido por outro. 
O ingrediente principal era um “ki suco” colorido armazenado em uns vidrões que ficavam acoplados à máquina. Nos vidros, havia uns papéis em que estava escrito o sabor do sorvete. A máquina era ligada e o tio do sorvete abria a válvula do sabor que você desejava. Logo vinha a casquinha com o sorvete para ser devorado. 
Um detalhe importante, que não poderia deixar de ser lembrado aqui, é que o tio do sorvete tinha que ficar espantando as abelhas porque o liquido com que fazia o sorvete, o tal “ki suco” colorido, as atraia. As abelhas eram dessas que ferroam doído, mas ninguém tinha medo delas; até parecia que o tio tinha um acordo com elas para não picarem as crianças. Era uma sensação única; era uma aventura doce. 
Os sabores? Não me recordo de todos, mas me lembro de que tinha uva, limão, groselha azul e morango. Eu gostava do sabor de limão. 
Enfim, não sei bem o que era; só sei que o sorvete era mágico e delicioso. Para quem viveu na época, trago essa lembrança do sorvete americano no portão do DOC.

Marçal Rogério Rizzo
( Economista e Professor na UFMS – Campus de Três Lagoas/MS)