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Sonho

(Poesia em homenagem ao centenário do Santos Futebol Clube (2.012))
05 de março de 2012

 

Em rever o futebol bonito
Sem três zagueiros
Quatro volantes
O craque e o seu gambito
 
Porque o cambito é a força
Da inteligência, e não da força física
Ainda que a gente torça
O que queremos mesmo é a lírica
 
A lírica de um futebol sem retranca
Sem retranqueiros, retrancões, retrancadores
Em que vence o espetáculo
Em que a inteligência dos treinadores supere a das potrancas
 
Queremos um Neymar com a liberdade pra brilhar
Um Ganso com a magia de criar
Um Elano com a alegria de chutar
Um Arouca com a vontade de avançar
 
Queremos um futebol envolvente
Uma vida cheia de emoção
Um abandono da pura razão
A volta da nossa paixão
 
Os três zagueiros do retranqueiro não deixam mais o meu Santos amar
Os três volantes do retranqueiro impedem meu Santos de brilhar
O retranqueiro quer mesmo os medalhões
Não aproveita a garotada da base, que dá base ao nosso sonhar
 
Retranca, não se vive com a cara amarrada
Não se joga futebol, sem poesia
Se Santos é Pelé, Neymar e Ganso
Santos não suporta mais a covardia
 
Mas Santos é maior que tudo isso
Sabe perder para quem está melhor
O que os santistas não aguentam
São os que querem nos tirar a alegria
 
Porque nos anos 1960, jogamos pra frente, como ninguém
No final dos 70 e começo dos 80, os meninos da Vila brilharam
A partir de 2002, mostramos o nosso ataque
Em 2010, o único volante que tínhamos nem era volante
 
Retranca, não deixe o Santos parar de sonhar
Ele é maior do que você
O santista não perde a harmonia
Porque futebol é alegria; Santos, poesia.
 
Santos, meu amor, meu coração chora de dor
Você podia ganhar, mas procuraram diminuí-lo
Amanhã tem mais, e mais, e mais
Porque sonho... Sonho, jamais, Santos... Sonho nunca se desfaz.
 
 Fernando Antônio de Lima
(juiz de Direito)