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Socorro! Nós parimos!

por LUIZA ELIZABETH
06 de maio de 2018
Luiza Elizabeth da Silva
E a partir desse momento colocaram em nossos braços um pacotinho, embrulhadinho pra presente, bem aquecidinho. Uns, com lacinho na cabecinha careca ou cabeluda, outros, sem lacinho, mas todos com uma coisa em comum: Uma boquinha banguela ávida por um peito que os abasteça com leite morninho por meses a fio, e uma coisa apavorante para nós, as mães que os recebemos: Eles não vêm com manual. 
Os primeiros meses são fáceis. Agimos por intuição animal. Sabemos quando o choro é de fome ou de dor. Sabemos quando querem colo, quando é “manha” e, sem ao menos saber de onde vem a inspiração compomos cantigas de ninar inéditas e cantamos outras, guardadas em nossos genes de maneira atávica.
Conforme os anos passam vamos nos esquecendo de nossas necessidades básicas para suprir as deles e deixamos de viver nossa própria vida. Eles estão sempre em primeiro lugar.
Agora são jovens, já não cabem em nosso colo e descobriram que temos defeitos, como todos os outros seres humanos e que eles, têm uma arma infalível para nos ferir: o nosso cego amor por eles! Para nós os filhos não têm defeito, e se têm a culpa é nossa...
Começa o momento crucial da necessidade de um manual, e ele não existe. O instinto materno nem sempre funciona, os conselhos dos psicólogos não adiantam e a gente fica ali, sem poder usar o chinelo, sem saber se grita, chora ou conversa, se chama o “Bicho Papão”, o Samu ou a Polícia...
Mas a gente os pariu! Continua não resistindo quando os vê sofrer, frágeis que são nossos pequenos, errando os mesmos erros que erramos um dia e insistindo que sabem tudo, do mesmo jeito que erradamente fizemos, chorando as mesmas lágrimas que choramos e a gente ali, infelizmente impotentes.... Impotentes, mas insistindo em sofrer junto, amando junto quem eles amam, odiando quem eles odeiam e morrendo de rir do que eles acham engraçados, mesmo quando não tem graça nenhuma...
Socorro! A gente pariu! E desde então não paramos mais de purificar nosso espírito. Aqueles pacotinhos que tantas alegrias nos deram e dão no decorrer de suas e nossas vidas, às vezes são tão cruéis que nossas lágrimas de dor só são acalmadas por suas vitórias e seus sorrisos.
Sempre eles, os filhos.... Uma parte de nós morre aos poucos quando eles sofrem e renasce cada vez que eles reaparecem com seus sorrisos iluminados, os mais lindos do mundo.... Os sorrisos dos nossos filhos!
Somos assim. Mulheres esquecidas de nós, em função da amarga e doce contradição da maternidade.
 Sorrimos, depois da dor do parto, ao segurar nossos pacotinhos banguelas e mijões.
Maldizemos o momento em que os parimos, anos mais tarde, diante das ingratidões, desrespeitos e maldades inerentes ao ser humano desses filhos que viraram gente grande, para no instante seguinte, basta um abraço, um sorriso malandro, tímido ou sem vergonha, nos desmancharmos em carinhos e beijinhos, e esquecermos que somos mulheres, esposas, profissionais, mulheres do mundo enfim, para sermos somente mães.... Perdidamente apaixonadas. 

Luiza Elizabeth da Silva
(especialização em Recursos Humanos e 
Gestão de Pessoas)
e-mail: luizaeli@gmail.com
www.luizacabecafeita.com.br