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Só para amigos do rei

Editorial
02 de abril de 2018
No próximo sábado, 7 de abril, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) passa a faixa de capitão do time ao vice-governador Márcio França (PSB).
 Alckmin não sai porque quer, mas porque a legislação assim exige, na medida em que ele vai disputar a eleição para presidente da República.
Com o devido respeito que Alckmin merece, pois é um político educado, atencioso e, mais do que isso, até hoje, depois de governar São Paulo quatro vezes, mantém a ficha limpa, a região de Jales não sentirá muita saudade dele.
Olhando pelo retrovisor, verifica-se que não há nenhuma grande obra do governador em Jales, onde ele se limitou a fazer o arroz-com-feijão.
Registre-se, por questão de justiça, que deve ser contabilizada em sua conta corrente de realizações a duplicação da Rodovia Euclides da Cunha. Foi sim uma obra para a história, mas que beneficiou todos os municípios e não Jales especificamente.
O leitor pode até perguntar a razão pela qual o jornal está fazendo estas considerações. O motivo do protesto é que Alckmin, há 10 dias, deu uma canetada a favor de São José do Rio Preto em ação administrativa de flagrante injustiça em relação a Jales. 
Ele autorizou a demolição da antiga Ciretran para que se possa edificar a Cidade da Polícia Judiciária, abrigando em um só espaço a Central de Flagrantes, distritos policiais, Delegacia da Mulher, Núcleo Especial Criminal e a Delegacia Seccional. 
Tudo bem que Rio Preto tem quase 10 vezes o número de habitantes de Jales — 450 mil para 50 mil — e mais de 200 mil eleitores, mas, Jales, que desde 2011, vem tentando tornar realidade algo muito mais amplo — a Cidade Judiciária, colocando num mesmo local o Fórum Estadual, com todas suas varas, o Fórum Federal, o Ministério Público Federal, a Divisional de Polícia, com todos seus distritos, a Vara Trabalhista— merecia mais respeito.
Não foram poucas as vezes que o Fórum da Cidadania, instância comunitária integrada por entidades de classe, clubes de serviço e instituições filosóficas, mobilizou a comunidade. 
Em uma das idas a São Paulo, estiveram presentes inclusive os deputados mais votados em Jales, como os estaduais Analice Fernandes (PSDB) e Itamar Borges (MDB), bem como o federal Rodrigo Garcia (DEM) e até o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB).
Até mesmo o prato feito: área de 35 mil metros que a empresa Venturini se comprometia a doar ao Estado. Ou seja, o projeto seria implementado a custo quase zero. Pelo menos dois secretários de Justiça, Eloisa Arruda e José Renato Nalini, ouviram o que os jalesenses pediam e aprovaram a ideia. Passados sete anos, até agora, nada.
 E, de repente, num piscar de olhos, as lideranças comunitárias e políticas são surpreendidas com a notícia da construção da Cidade da Polícia Judiciária em Rio Preto ao custo de R$ 10 milhões. Por esta razão, não há outra expressão para definir o que Alckmin fez no apagar das luzes de seu governo —para os amigos, tudo. Para os outros, indiferença.