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Sinto-me como um ser extraterrestre

Eu, um ET
19 de maio de 2014

Sinto-me hoje como um ser extraterrestre. Não entendo o que se passa ao meu redor. Fui criado quando toda a família se compreendia, amava-se. Hoje é uma madrasta matar por vingança ou por dinheiro. Sinto-me um tolo por ter escrito poesias cheias de amor. Onde está o amor?
Sofro de agonia. Estou perdendo minha capacidade de escrever. São tantas anomalias. Eu poderia ter sido jornalista que era meu sonho. Com raras exceções, os editoriais dos grandes jornais tratam apenas de falcatruas. São raros os políticos em que podemos confiar. Menores matam por nada, sabendo que não vão ser punidos.
Num programa policial o apresentador não sabia quem disse que o homem sentiria vergonha de ser honesto. Com certeza nunca leu Rui Barbosa. Todos nossos pensadores estão esquecidos. Como estou começando a sofrer de agrafia deixo abaixo uma poesia que fiz por ocasião da morte de Ayrton Senna, para que os leitores do Jornal de Jales lembrem-se de mim:
 
TRIBUTO A UM IMOLADO
 Eu também, como tu
Estou de luto
De rigoroso luto
Vestido de piloto
Correndo na chuva
Pela dor universal
Como tu
Pelo piloto
Como tu, Ayrton
Em meio às lágrimas
Dos pássaros
Das asas do relâmpago
Da piedade da pedra
Do espelho da sombra
Do lábio da neblina
Do sangue fugitivo do vento
Contemplo teu luto e tua dor
Pelo colega que partiu antes de ti.
Emudeço ao ver-te partindo rumo às estrelas
Recebo Ayrton tua carícia de solidão
Tua mão de adeus
Viajo de rigoroso luto
Pelas pistas onde andaste.
Reclino minha cabeça
Para ainda ouvir teu grito
Solitário no meio da multidão
Tua champanhe de amizade
Espargida nos pilotos
Pelas pistas do mundo
Teu dócil cavalo Willians
Terá outro domador
Busco-te companheiro
Vestido de piloto
Entre a multidão
Dos angustiados.

   JOSÉ MARTINS PEDREIRO
(Poeta jalesense)